quarta-feira, 30 de julho de 2014

Novidades da FLIP 2014



Acompanhe as novidades da FLIP 2014 de Paraty-RJ aqui e no blog MALA DE ROMANCES: www.maladeromances.blogspot.com.br

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA AQUI:
http://www.paraty.com.br/flip/programacao.asp

AUTORES CONVIDADOS DA FLIPINHA:
http://www.flipinha.org.br/noticias/mostra.php?id=259


terça-feira, 29 de julho de 2014

Matéria do CADERNO 3 do DN


O cordelista e quadrinhista cearense Arievaldo Viana participa da edição deste ano da Flipinha 

Sou matuto cearense/Nasci no Sertão Central/Chinelo e Chapéu de Couro/Foram o primeiro enxoval/Faço repente brincando/Aqui vou me apresentando/Para todo o pessoal...

Essa é somente uma das maneiras possíveis de conhecer o poeta cordelista Arievaldo Viana. De mala e cuia, o trovador está se preparando há alguns meses para embarcar em mais uma aventura andante. Dessa vez, rumo à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2014, que tem início amanhã e se estenderá até domingo.
O convite veio no ano passado, com a ajuda do parceiro Jô Oliveira, responsável por boa parte das ilustrações dos textos do cordelista. Após divulgar alguns trabalhos de Arievaldo no mesmo evento, as portas se abriram naturalmente para a o autor cearense, que, neste ano, estará integrado as atividades da Flipinha, ação voltada para o público infantil. "A gente morando aqui em Fortaleza, no Ceará, fica um tanto quanto ilhado. Costumo receber mais convites daquelas regiões Sul, Sudeste, mesmo. Quase nunca no Nordeste", desabafa o poeta.
A proposta apresentada pelo "Dom Quixote do Letramento", como é lembrado em algumas ocasiões, quando realiza atividades do Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, em vigor desde 2000, é simples e curiosa: uma aula-espetáculo. "Eu bebi muito na fonte do mestre Ariano Suassuna. Assisti umas três ou quatro aulas dele e me encantava com aquela prosa fluente, aquela facilidade que ele tinha de decorar cordéis, trechos inteiros. Também peguei muito daqueles camaradas que cantavam folhetos nas feiras. Aproveito tudo nas palestras", conta.
Com uma bagagem de mais de duas horas de poesia na cabeça, Arievaldo pretende declamar para o público da Flipinha versos que vão além de sua produção. Patativa do Assaré, Alberto Porfírio e Luiz Campos são apenas alguns exemplos do que será cantando em terras fluminenses. A técnica para prender a atenção do público infanto-juvenil, o autor já aprendeu desde cedo. "Se você conseguir dominá-los nos primeiros cinco minutos, estará com eles o tempo que quiser. Se for um fiasco, pode apressar a coisa e sair pela tangente porque vai ser um fracasso. Por isso, é preciso mostrar a tradição, sem desprezar ou deixar de interagir com a tecnologia e a modernidade", reconhece.

Programação
A participação de Arievaldo na programação da Flipinha começa na sexta-feira (01). Pela manhã, o autor fará uma visita a Escola Casa da Criança, no bairro Patitiba, onde será homenageado pelos alunos. Sua primeira intervenção no evento acontece às 11h, no "Encontro com autor: Arievaldo Viana", um espaço aberto de apresentação para um grupo de crianças, na Biblioteca. É nesse momento que será aberta uma mala de romance, à moda dos folheteiros do passado. Dela sairão algumas das obras que serão trabalhadas durante a intervenção.
No sábado (2), a partir das 14h30, ele apresentará, na Tenda da Flipinha, o tema "Cultura popular e literatura", junto com o músico Fábio Sombra e o mediador Amaury Barbosa. "Vou mostrar várias modalidades do repente nordestino, como o martelo, a galopada. E o Fábio vai apresentar o calango mineiro, a trova gaúcha... Vamos mostrar que a literatura de cordel tem uma raiz em comum com a trova do mundo inteiro, não é uma coisa isolada, um fenômeno 100% nordestino", explica.
Na mesma tarde, a partir das 17h30, o cordelista se juntará aos outros 14 autores participantes da Flipinha - dentre os quais também merece destaque a cearense Socorro Acioli - para um momento de confraternização e homenagem a Millôr Fernandes, a quem será dedicada a Flip 2014.
Mas nem de longe essas são as únicas atividades que o autor pretende desempenhar no evento. O lançamento dos livros "João Bocó e o ganso de ouro" (FTD) e "Otelo e Desdêmona - O mouro de Veneza em cordel" (Pallas) também acontecerá durante a Flip. Além disso, outros trabalhos mais recentes, tais como uma coleção de cinco livros ambientados no sertão nordestino, com textos e ilustrações próprias, também será levada para a Festa. Oportunidades de ver e ouvir o cearense, portanto, não irão faltar.

Mais informações:
Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2014, de 30 de julho
a 3 de agosto, em Paraty (RJ). Programação: www.flip.org.br e

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/mobile/cadernos/caderno-3/a-arte-de-desbravar-1.1067399

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Homenagens ao mestre SUASSUNA



Homenagem do poeta Geraldo Amâncio

ONDE A CULTURA É TRIBUNA
SUA VOZ FOI A MAIS ALTA,
HOUVE O PRIMEIRO MAS FALTA
O SEGUNDO SUASSUNA.
PARTE E DEIXA UMA LACUNA
QUE NÃO SERÁ PREENCHIDA.
SUA FORMA DEFINIDA
NA MANEIRA DE ESCREVER,
NÃO TINHA COMO DEVER
MAS COMO MISSÃO DE VIDA.

COM ORIGINALIDADE
 A SUA MISSÃO CUMPRIU
FOI QUEM MELHOR TRADUZIU
NOSSA NORDESTINIDADE.
PORTA VOZ E AUTORIDADE
DOS VALORES CULTURAIS.
DAS FONTES ORIGINAIS
UM DIVULGADOR CONSTANTE,
COMO UM CAVALHEIRO ANDANTE
DOS TEMPOS MEDIEVAIS.

CRONISTA DO DIA A DIA,
UM DEFENSOR ARDOROSO
DAS ESTÓRIAS DE TRANCOSO,
DAS CRENÇAS, DA ROMARIA.
REPÓRTER DA CANTORIA,
DO CORDEL, DO DESAFIO.
SEM ELE ATÉ DESCONFIO
QUE MORRE A NOSSA MEMÓRIA,
E O CIRCO DA NOSSA HISTÓRIA
PODERÁ FICAR VAZIO.

MUITAS VEZES CONTESTADO
ELE CANSOU DE DIZER
QUE A ARTE NÃO PODE SER
UM PRODUTO DE MERCADO.
SEMPRE QUE ERA PERGUNTADO
DIZIA DE FORMA HONESTA,
SEM  RODEIO, SEM ARESTA,
SEM SOFISMA, SEM ENGODO,
QUE A ARTE É NO SEU TODO:
VOCAÇÃO, MISSÃO E FESTA.

"AUTO DA COMPADECIA"
SUA MAIS FAMOSA PEÇA,
TERMINA COMO COMEÇA
CONTANDO OS DRAMAS DA VIDA.
INSPIRADA E EXTRAÍDA
DO MUNDO CORDELIANO.
O MESTRE PARAIBANO
TEATRÓLOGO E ENSAISTA,
ERA TAMBÉM CORDELISTA
O GENIAL ARIANO.

NOS SEUS TRABALHOS DEFENDE
UM BRASIL MAIS BRASILEIRO,
CONTRA O MODISMO ESTRANGEIRO
QUE MÍDIA COMPRADA VENDE.
BRASIL ONDE O INGLÊS PRETENDE
SER O IDIOMA OFICIAL.
NOS TRAZENDO GRANDE MAL,
FAZENDO MORRER À MÍNGUA
O ENCANTAMENTO DA LÍNGUA
QUE HERDAMOS DE PORTUGAL.

NAS PALESTRAS QUE FAZIA
COM HUMOR E FUNDAMENTO
ESBANJOU CONHECIMENTO,
SEMEOU SABEDORIA.
ERA QUEM MAIS CONHECIA
O QUE O BRASIL DESCONHECE.
QUANDO UM ASTRO SE OPAQUECE
ACABA-SE A ILUMINURA.
O CÉU DA NOSSA CULTURA
SEM ESSE ASTRO ESCURECE.

FOI GUARDIÃO DA RAIZ
DA NOSSA ANCESTRALIDADE,
CONSTRUIU A IDENTIDADE
CULTURAL DO MEU PAÍS.
DA TERRA AGORA DISTANTE,
TORNOU-SE ENTÃO PALESTRANTE
NAS CORTES CELESTIAIS.
HOJE FAZ PARTE DO TIME,
DA ACADEMIA SUBLIME
DOS MESTRES UNIVERSAIS.

Estrofes do poeta Geraldo Amancio, que considera Ariano Suassuna o sábio maior que a nossa cultura conheceu. Que seja grande no céu como foi na terra, tendo as bênçãos de Deus.



Aproveitando um mote já versado por MARCO HAURÉLIO, fiz também algumas estrofes:

M.H. - Além das falsas fronteiras
por mãos humanas forjadas,
das extensas paliçadas,
dos hinos e das bandeiras,
das invisíveis barreiras,
do deboche e do desdém,
a alma que um povo tem
é o que torna a gente, GENTE.
Eu não troco o meu oxente 
pelo "ok" de seu ninguém.

Arievaldo:

Não perco a identidade
Não nego as minhas raízes
Não traio as minhas matrizes
Nem vivo de “urbanidade”
Para mim, a liberdade
É peneirar meu xerém
Chamar cauda de “sedém”
Sem seguir moda ou corrente;
Eu não troco o meu oxente 
Pelo "ok" de seu ninguém.

Digo sem xenofobia
Que a tal ‘globalização’
Ao penetrar no sertão
Varreu tudo quanto havia
De beleza e poesia
E de verdade também
Mas tudo tem um “porém”
Eu sou cabra renitente
Pois não troco o meu oxente
Pelo "ok" de seu ninguém.

Minha luta é quixotesca
Em defesa do cordel
Meus aviões de papel
Encaram a cena dantesca
Na arte trovadoresca
Já derrotei mais de cem
Pois já dancei “xenhenhém”
Tomando a boa aguardente
Sem trocar o meu oxente!
Pelo "ok" de seu ninguém.




quinta-feira, 17 de julho de 2014

RUMO À FLIPINHA DE PARATY-RJ




Estaremos na FLIPINHA 2014, de Paraty-RJ, no período de 31/07 a 03/08, oportunidade em que participaremos de duas palestras, em parceria com o poeta Fábio Sombra. Na oportunidade, lançaremos 4 novos livros:
1 - OTELO E DESDÊMONA - O Mouro de Veneza em Cordel - Pallas Editora
2 -JOÃO BOCÓ E O GANSO DE OURO - Editora Globo
3 - SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO EM CORDEL - Amaryllis
4 - CERVANTES EM CORDEL - Quatro Novelas Exemplares (parceria com Stélio Torquato).
Os três primeiros livros são ilustrados por Jô Oliveira. 

Flipinha e FlipZona, a festa das crianças e dos jovens



FOTO: DIVULGAÇÃO


Programação infantil traz encontros com autores e ilustradores

PARATY - Parte da programação da Flipinha, a Ciranda dos Autores leva a Paraty um time de nove escritores e seis ilustradores de livros infantis, que participam de encontros aguardados com expectativa pelos alunos das escolas da cidade.
A mesa Da memória às histórias, que reúne as ilustradoras Laura Teixeira e Luciana Grether Carvalho marca a abertura das atividades na tenda da Flipinha. Ilustração é o tema da conversa de Daniel Kondo, que desenhou Contos das quatro estações e Domingão joia, e Mario Bag, cujos traços estão em Mentiras caipiras e Mitos e lendas do folclore do Brasil.
Entre os destaques, também aparecem a cultura indígena, com o amazonense Roni Wasiry Guará, do povo Maranguá, e a temática nordestina, presente nas obras Cordel da Candelária e Cordel das cavalhadas, de Sandra Lopes; e nas adaptações de Shakespeare para o teatro e o cordel, de Arievaldo Viana.
Complementam as atividades da Flipinha as apresentações de alunos das escolas de Paraty, os já tradicionais “pés de livro”, que convidam à leitura sob as árvores da Praça da Matriz, e a mesa em homenagem a Millôr Fernandes.
Formação de leitores
Ao longo do ano, a Casa Azul desenvolve em Paraty um trabalho permanente de formação de leitores, como parte do programa educativo da Biblioteca Casa Azul, que envolve cerca de 13 mil alunos de mais de 40 escolas públicas e privadas da região. No início do ano letivo, os professores recebem o Manual da Flipinha, material didático com informações sobre a vida e a obra dos autores convidados, e participam de uma oficina de formação. É o ponto de partida para trabalharem a Flipinha em sala de aula, com leituras e atividades práticas que culminam nas apresentações dos alunos nos dias de festa.
FlipZona: espaço de experimentação
A programação jovem contempla diferentes áreas de interesse e se caracteriza pela presença de múltiplas linguagens, como a produção audiovisual e o grafite. Palestras, bate-papos e oficinas fazem parte da programação, que traz para o universo jovem alguns autores da programação da Flip, como Antonio Prata e Eliane Brum, e da Flipinha, como a escritora e roteirista Rosana Rios.

Ao longo dos cinco dias da Flip, um grupo de jovens paratienses estará ativo na Central FlipZona – uma redação jornalística que fará a cobertura de toda a festa literária. No último dia, domingo, será a vez de apresentarem sua produção audiovisual: é o CineZona.
Oficinas para jovens
Assim como na Flipinha, o trabalho de formação com foco nos leitores jovens – sob o nome de FlipZona – também é um movimento que acontece o ano inteiro na Biblioteca Casa Azul, em Paraty. Sempre aberta a novos participantes, a FlipZona mantém um blog e realiza oficinas de artes visuais e literatura. Em abril e maio de 2014, realizou uma oficina de fotografia com Walter Craveiro, fotógrafo oficial da Flip, e uma oficina de grafite, com o designer e grafiteiro carioca Meton Joffily. Participaram cerca de 80 jovens paratienses.


SAIBA MAIS: http://www.avozdacidade.com/site/page/noticias_interna.asp?categoria=56&cod=33984

sexta-feira, 4 de julho de 2014

ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA





Este foi um dos primeiros 'romances' que escrevi. Em 2000 fui incumbido pelo amigo Aragaci Monteiro Chaves, então presidente da Câmara Muncipal de Tabuleiro do Norte, para diagramar e ilustrar um livro com as memórias de seu pai, Ramiro Monteiro Chaves, um pioneiro das estradas que rodou esse Brasil imenso de Norte a Sul, colecionando histórias. Ramiro, homem sensível e inteligente, admirador da poesia popular, amigo dos irmãos Batista, os cantadores mais famosos daquele tempo, tinha o hábito de anotar suas memórias num velho caderno que acabou se transformando em livro, por esforço de seu filho Aragaci.
Um dos contos mais interessantes é este "ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA" que resolvi transformar em cordel, procurando não me distanciar, emocionalmente, do roteiro traçado por Ramiro. O conto tem paralelos com uma obra de Simões Lopes Neto "TREZENTAS ONÇAS", porém o desfecho da obra de Ramiro é ainda mais surpreendente do que no conto de Simões. Creio que Ramiro, homem intuitivo, de poucas leituras. Talvez jamais tenha lido o escritor gaúcho.

TRECHOS

(...)


Nesse tempo se vivia
Com certa tranqüilidade
O povo de antigamente
Prezava a honestidade
Seu Leonel era um desses
Que não pensava em maldade

Mas foi a fatalidade
Que este dano originou
Chegando na oiticica
Os seus alforjes tirou
Num galho da dita árvore
Com cuidado pendurou.

Dentro de um dos alforjes
A sua fortuna estava
Mais de cem contos de réis
O fazendeiro levava
Com um lapso de memória 
Este pobre não contava.

Depois que almoçou bem
Armou a rede e dormiu
Quando bateu duas horas
Selou o burro e saiu
Lá os alforjes ficaram
E seu Leonel não viu.

Esqueceu sua fortuna
Talvez devido a soneira
No seu burro de valor
Galopou a tarde inteira
Coitado, sem se dar conta.
Da sua grande leseira.

Na casa de um compadre
Dormir ele pretendia
Como de fato chegou
Ao toque da Ave-Maria
Cumprimentou o compadre
Com afeto e alegria.

Mas veio o golpe fatal
Quando tirou a bagagem
Que não viu os seus alforjes
Pensou que fosse visagem
Junto com o seu compadre
Ganhou de novo a rodagem.

Porque a dita oiticica
Dali era bem distante
Coisa de umas sete léguas
E o fazendeiro errante
Seguia a todo galope
Nessa hora angustiante.

Chegando na oiticica
Nem sinal ele encontrou
Alforje, dinheiro e tudo.
Passou alguém e levou
Agora o leitor calcule
De que forma ele ficou!

(...)



SOBRE O LIVRO DE MEMÓRIAS DE RAMIRO -  Ramiro Monteiro Chaves, caminhoneiro natural de Tabuleiro do Norte-CE, percorreu os quatro cantos do país nas décadas de 50 a 70 do século passado. O lançamento aconteceu em 2003, por ocasião da Romaria dos Caminhoneiros, que ocorre anualmente nos dias 06 e 07 de setembro naquela cidade do Vale Jaguaribano.
O livro surpreende tanto pela originalidade quanto pela beleza e simplicidade de sua narrativa. Ramiro Monteiro, entre uma viagem e outra que fazia, ocupava-se em elaborar um diário “de bordo” contendo um resumo de suas andanças e os fatos mais pitorescos ocorridos em sua volta. Alguns  deles se enveredam pelo terreno humorístico. Certa feita, Ramiro e seu ajudante Zé de Omar chegaram numa cidade de Santa Catarina e hospedaram-se na vinícola de um italiano, esperando um carregamento de vinho para Sobral. Depois de um bate papo amistoso, o italiano lançou um desafio aos dois cearenses:

-        Quero ver quem é que come 100 gramas de queijo enquanto eu tomo uma cerveja de colher na copa deste prato.  Vamos ver quem termina primeiro?

Ramiro olhou para o ajudante e perguntou?

-        Você topa, Zé?

O Zé topou e não deu moleza. “Tacou a paêta pra riba”. Coisa de uns três minutos depois, levantou-se eufórico e escancarou a bocarra. Não havia mais um farelo do laticínio, enquanto o italiano padecia para terminar de ingerir a bebida. O certo é que o anfitrião deu-se por vencido e comentou que nunca havia sido vencido nessa aposta.
-        É nisso que dá apostar com cearense “esgalamido”... comentou rindo o caminhoneiro.



terça-feira, 1 de julho de 2014

O BATIZADO DO GATO EM EXPOSIÇÃO NA CEILÂNDIA


O folheto O BATIZADO DO GATO, de Arievaldo Viana 
é uma das obras selecionadas nessa exposição

No dia 27 de março, Ceilândia completa 43 anos. A maior cidade do Distrito Federal, com mais de 400 mil habitantes, celebra mais um ano e o JK Shopping (Avenida Hélio Prates) preparou uma programação cultural intensa para valorizar as raízes históricas de seus moradores, grande parte vindos da região Nordeste. Entre os dias 14 e 30 de março acontece, na praça central do mall, a exposição “Encanta Ceilândia – Xilogravura e Cordel”, com muita poesia, artes plásticas, teatro, música, oficinas e brincadeiras lúdicas. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é livre.





A proposta é que o público vivencie, de forme interativa, lembranças e emoções do povo nordestino, de uma arte que traz todo contexto cultural e social, além de seu refinado apreço estético. Os visitantes contam com o auxílio de monitores para explicações e esclarecer as dúvidas. De acordo com o superintende do JK Shopping, Sidney Pereira, para o grupo é muito importante festejar a data, junto com a comunidade que os acolheu tão bem. “São elementos muito fortes da identidade do povo que construiu a Ceilândia. E neste aniversário queremos reforçar os laços entre a comunidade e o shopping, ressaltando o que têm de mais rico, que é sua cultura. A curadoria passou por uma criteriosa seleção, com nível dos grandes museus, que cada vez mais tem destacado espaço para a arte popular”.



Escolas, públicas e particulares, e entidades com fins educativas podem agendar visitas guiadas à exposição, como parte do projeto “Escola – Arte e Identidade”, promovendo o conhecimento histórico, cultural e social da comunidade de turmas do 4º ao 9º ano. Os horários podem ser marcados entre os dias 17 a 28 de março pelo telefone (61) 3246-8608. A expectativa é que mais de mil crianças passem pelo projeto e tenham momentos de apreciação artística e intelectual.


“Nosso objetivo é unir aprendizagem e entretenimento, para que as novas gerações compreendam melhor suas raízes e de seus antepassados. Assim elas podem se aproximar ainda mais de um povo que foi responsável pela construção de uma importante cidade da capital do país”, explica Sidney Pereira sobre a importância do projeto.

Exposição Xilogravura
Uma arte minuciosa e bem marcantes. A xilogravura consiste em uma técnica de entalhamento da madeira para ser usada como uma espécie de carimbo. É uma das principais formas de expressão que caracterizam a arte do Nordeste. Assim como o cordel, nasceu em feiras populares como uma opção barata de entretenimento. Quem passar pelo evento pode apreciar cerca de 40 obras dos mais importantes artistas, de notoriedade internacional, como os pernambucanos J. Borges, Marcelo Soares, J. Miguel, Dila, o capixaba que vive no Maranhão Airton Marinho e o cearense José Lourenço.


Cordel
Um dos elementos mais emblemáticos da literatura nordestina é o cordel. Famosa, por ser exposta pendurada em cordões, os textos trazem em forma de poesia histórias do cotidiano da região. Serão exibidas obras de expoentes da atualidadede diferentes partes do Brasil, como João Ferreira de Lima (As proezas de João Grilo), Leandro Gomes de Barros (A Batalha de Oliveiros com Ferrabrás/ A Donzela Teodora), Severino Milanês da Silva (Peleja de Severino Pinto com Severino Milanês), José Pacheco da Rocha (A Chegada de Lampião no Inferno/ A intriga do Cachorro com o Gato), João Melchiades (Roldão no Leão de Ouro), Arievaldo Viana (O Batizado do Gato), José Camelo de Melo Resende (Coco Verde e Melancia).

Destaque para o dia 27 de março, data oficial do aniversário da cidade, que será lançado um cordel que conta a história de Ceilândia. A obra é assinada pelos repentistas João Santana e Chico de Assis, que já se apresentaram em lugares como o Teatro Nacional e produziram obras para a TV, teatro e cinema, e a capa ilustrada por Jô Oliveira, artista que já recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais filatelistas com a criação do “melhor selo”. O texto conta a formação da cidade, que foi crescendo conforme a nova capital era construída: “No ano setenta e um/ Ceilândia foi batizada,/ Onze anos antes disso/ Brasília era inaugurada,/ Construída pela força/ Nordestina obstinada”.

Música
Artistas que cantam o nordeste em suas melodias e canções também fazem parte da programação, sempre das 20 às 21h. Confira a programação:

14/ 03 – (sexta) – Flomulengo
Banda brasiliense que entoa o tradicional forró pé de serra com canções de músicos consagrados como Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Elba Ramalho, Marinês e Dominguinhos.

15/03 – (sábado) – Alberto Salgado
Músico, compositor, violonista, percussionista e tocador de berimbau. Alberto Salgado é um artista de música popular brasileira, com diversos prêmios em sua carreira. Já gravou ao lado de Dominguinhos.

16/03 – (domingo) – Paraibola
A proposta do grupo é mostrar a música nordestina, que inclui xote, xaxado, xerém, baião, maxixe e maracatu, criando um repertório próprio que batizaram de forró Candango, ou seja estes ritmos falando da realidade de Brasília.

21/03 – (sexta) – Luizão do Forró
O paraibano sobe ao palco para embalar o público com o ritmo do forró pé de serra com seu inseparável acordeon. É um dos integrantes do trio Nordestinos Candangos que se apresenta no dia 29/03

22/03 – (sábado) – Carlinhos Veiga
O músico entoa em seus shows canções permeadas de regionalismo, embalados pelo som da viola caipira e viola de cocho.

23/03 – (domingo) – RAPadura Xique-Chico
O rapper inova ao misturar sua música com repente alimentado por muito coco, maracatu, forró, baião e cantigas de roda, que fazem dele o percussor de um movimento em defesa da cultura popular, integrando o rap contemporâneo à música de raiz. Já foi indicado ao VMB como aposta da MTV em 2012.

27/03 – (quinta) – Chico Assis e João Santana
A dupla de repentistas leva a música de raiz com muita melodia e poesia. Chico é potiguar e atualmente dirige a Casa do Cantador. João Santana é o único repentista nascido fora do Nordeste e já se apresentou em diversos países.

29/03 – (sábado) – Marcos Mesquita e Vitor Mesquita
Pai e filho violeiros, juntamente com sua banda, levam aos palcos o som da viola caipira, em sua essência, mas com influências do rock progressivo.

30/03 – (domingo) – Nordestinos Candangos
O trio de nordestinos radicados em Brasília desde os anos 70 traz música popular brasileira com características regionalistas do xote, xaxado, baião, frevo, toada e samba. Nos temas, o meio ambiente, causas sociais, belezas geográficas e das riquezas do povo brasileiro, além do amor.


Teatro
Para a criançada, o universo lúdico do teatro vem com toques de cultura popular, tanto em técnica como no enredo. Serão apresentadas peças teatrais, sempre das 16 às 17h, de duas companhias de destaque no DF.

15/03, 22/03 e 29/03 – Mamulengo Presepada – O Romance do Vaqueiro Benedito
Grupo que mistura elementos da cultura popular, em um jogo cênico que envolve atores, bonecos e música. Misturando personagens da cultura popular, com alguns mitológicos e outros simbólicos, a história se desenvolve conforme a participação da plateia.

16/03, 23/03 e 30/03 – Cia Expressão da Arena – O Conto do Baú
Grupo teatral de bonecos om histórias de literatura de cordel. A peça conta história de um menino do sertão que não pode ir à escola, pois precisa trabalhar. Sonhador, ele encontra um baú mágico e vai parar em uma terra encantada


Atividades de interação artística
Ao longo do evento serão desenvolvidas atividades interativas e educativas, nas quais o público se sinta parte do processo, totalmente de graça. Entre eles está um grande jogo de tabuleiro, colocado no chão e no qual as peças são as próprias pessoas. São colocados desafios com personagens, informações históricas e festas populares, todo ilustrado, com questões abordadas ao longo da exposição. Um momento de diversão para a família e para os alunos das escolas em visitação. Também é possível criar o próprio cordel em um painel de ímã gigante com personagens e ícones do universo da xilogravura.

Para quem quer aprender ainda mais, é possível desfrutar do “espaço leitura”, com um lounge e diversos títulos de cordel para apreciação. Já no “espaço criação” são desenvolvidas oficinas gratuitas para o visitante colocar a mão na massa e desenvolver sua própria xilogravura, conhecendo detalhadamente a técnica.

Encanta Ceilândia – Xilogravura e Cordel
Local: JK Shopping (Avenida Hélio Prates QNM 34 – entre Taguatinga e Ceilândia)
Data: 14 a 30/03
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: Livre
Informações/ agendamento para escolas e entidades: (61) 3246-8608

segunda-feira, 9 de junho de 2014

ADEUS A MANOEL MONTEIRO

Poeta Manoel Monteiro, em xilogravura de William Jeovah

A poesia popular está de luto. Um dos maiores entusiastas do cordel na sala de aula e um dos maiores cordelistas em atividade foi encontrado morto num quarto de hotel, em Belém do Pará. Conheci Manoel Monteiro em 1999, quando comecei a levar mais a sério a minha atividade como cordelista. Trocamos diversas correspondências e, finalmente, em 2001 ele veio me fazer uma visita em Fortaleza. Ficou hospedado na minha casa. Depois fui visitá-lo em Campina Grande, onde recebi sua maravilhosa acolhida. Participamos juntos de um evento na UEPB, a convite do professor Rangel Júnior. Guardo do poeta quase toda a sua obra e diversas correspondências que trocamos ao longo desses anos. 
(Arievaldo Viana)


Foto publicada em 23/09/2005, no Diário da Borborema


A matéria que circula hoje num jornal da Paraíba diz o seguinte:


POETA MANOEL MONTEIRO ENCONTRADO 

MORTO EM HOTEL DE BELÉM-PA

Está confirmado, o corpo do poeta Manoel Monteiro, 77, que estava desaparecido desde o dia 30 de maio, foi encontrado num quarto de hotel, em Belém do Pará, neste sábado (7). Uma das filhas do poeta, Kátia estará viajando por volta das 21h de hoje para fazer o reconhecimento.

Segundo informações de Kátia Monteiro, ela recebeu uma ligação na tarde deste sábado e a recepcionista do Hotel conferiu com ela a documentação do poeta, com a qual ele deu entrada para se hospedar e, ficou confirmado que se tratava mesmo do poeta Manoel Monteiro.
Ainda conforme explicou Katia, a recepcionista lhe informou que o poeta chegou na última terça-feira (3), entrou no quarto e não saiu mais de lá. Até que os funcionários começaram a desconfiar e sentir um mal cheiro, foi quando resolveram entrar em contato com a Polícia.
Após entrarem no quarto, encontraram o poeta Manoel Monteiro sem vida. Kátia disse que nos últimos dias, seu pai vinha falando que já tinha vivido demais e que já tinha feito o que devia em vida.
Ela acrescentou que o poeta Manoel Monteiro se encontrava num quadro depressivo e que tinha muito medo de se tornar uma pessoa inválida e dependente dos familiares, portanto, resolveu sair de casa sem avisar a ninguém e viajou para a cidade de Belém do Pará, onde foi encontrado hoje.

"Nós vínhamos lhe dando o máximo de atenção porque víamos por sua conversa que ele estava triste. Ele estava sempre dizendo que já tinha feito o que tinha de fazer em vida e que não queria se tornar uma pessoa inválida, dependente dos filhos e acabou nos pregando essa surpresa desagradável e triste. Estarei viajando agora à noite com o coração destruído….", desabafou sua filha, Kátia.

* * *

Comunicado da ABLC
No momento em que o colegiado da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, perde um dos seus mais luminosos astros, o presidente da entidade Gonçalo Ferreira da Silva, depois de consultar sua diretoria, decreta três dias de luto oficial em homenagem ao grande mestre Manoel Monteiro.
Gonçalo Ferreira da Silva