segunda-feira, 16 de março de 2015

INSTALADA A ACADEMIA CANINDEENSE DE LETRAS


 
 
Visitando o blog VILA CAMPOS ONLINE, do poeta Pedro Paulo Paulino, encontrei excelente texto sobre a sessão de instalação da Academia Canindeense de Letras, ocorrida no último dia 14/03 (sábado). Tomei posse da cadeira número 3, cujo patrono é o meu saudoso amigo Francisco Magalhães Karam, considerado o 'guardião da história de Canindé'. Eis o texto publicado por Pedro Paulo Paulino:

 

CANINDÉ GANHA ACADEMIA DE LETRAS

Pedro Paulo Paulino

Canindé ganhou neste sábado, 14/3, sua academia de letras, em solenidade no auditório da Crede 7, com a presença de vários convidados. A entidade dispõe de 40 cadeiras, compostas inicialmente por 14 membros e uma diretoria com mandato anual. A iniciativa surgiu de um grupo de escritores e poetas locais, incentivados pelo radialista e escritor Tonico Marreiro.

Vicente Alencar, da Academia Cearense de Letras, foi convidado para presidir a instalação. Também compuseram a mesa o prefeito Celso Crisóstomo; coordenador da Crede 7, Paulo Alexandre; Marcos Paiva e historiador Cesar Magalhães.

Os patronos escolhidos são nomes que enriqueceram a cultura da cidade, alguns com projeção nacional, a exemplo de Cruz Filho, natural de Canindé e considerado príncipe dos poetas cearenses. Os fundadores são: Arievaldo Viana, Bosco Sobreira, Caroline Secundino Treigher, Cesar Magalhães Pinto, Erivaldo Façanha, Francisco Fonseca Lopes, Graça Secundino Pereira, Helena Mesquita, Jardel Araújo Crisóstomo, Maria Evan Gomes, Pedro Paulo Paulino, Mundinha Cruz, Silvio R. Santos e Tonico Marreiro.

Para o presidente da entidade, Silvio R. Santos, o acontecimento é marcante na história cultural de Canindé. “Estamos aglutinando nossos artistas, fazendo  homenagem póstuma aos conterrâneos ilustres e ao mesmo tempo promovendo intercâmbio entre gerações de escritores nativos”, explica, lembrando que a sede provisória da academia será na biblioteca municipal. Santos destaca também o apoio que receberam do radialista Cid Carvalho e dos escritores fortalezenses Vicente Alencar e Margarida Alencar.

O grupo de acadêmicos foi saudado pela banda de música Maestro Jota Ratinho. Após a solenidade, o prefeito Celso Crisóstomo recebeu os participantes com um almoço de confraternização. “A criação dessa academia é uma alegria para todos nós. As letras são uma das maiores heranças legadas pela humanidade em toda sua história”, disse o prefeito.
 
 
 
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Acadêmicos já empossados
 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O COMETA DO FIM DO MUNDO


 
O Cometa de Halley, um dos corpos celestes mais famosos na história da astronomia, sempre visto com medo e desconfiança pelas pessoas simplórias do mundo inteiro, passou a ser mais temido a partir de 1881. Não era exatamente o medo de que ele viesse a se chocar com a Terra. O que aconteceu é que um astrônomo descobriu que a cauda de todos os cometas contém um gás letal chamado cianogênio. Essa onda de pânico, alimentada pela imprensa sensacionalista da época, aumentou ainda mais depois que descobriram que o Halley passaria pertinho da Terra em 1910 – o cometa passa a cada 76 anos e cruzou a órbita terrestre novamente em 1986.  Até jornais importantes, como o New York Times, lançaram teorias que toda a humanidade morreria envenenada pelo gás. Foi preciso que cientistas de bom senso analisassem a questão com mais clareza, a fim de acalmar as pessoas, garantindo que a cauda dos cometas, na verdade, é formada por vapor d’água e um pouquinho de hélio e amoníaco, e que nessas quantidades não fazem mal a ninguém. E, de fato, nenhuma tragédia aconteceu quando da passagem do viajante espacial.

Como se vê, o pânico se instaurou em todo o planeta e foi alimentado pela imprensa sensacionalista. Não se tratava, portanto, de um chilique coletivo das populações do Nordeste, sempre vistas como atrasadas e supersticiosas. O poeta Leandro Gomes de Barros estava a par do assunto desde sempre. Ele viajava constantemente nos trens da Great Western, participava das rodas de conversas no Largo das Cinco Pontas e no Mercado São José, lia também os jornais, revistas e almanaques que circulavam no seu tempo. Em suma, viu nesse episódio um tema para uma deliciosa sátira, onde esbanja a sua finíssima ironia e sarcasmo: 

Eu andava aos meus negócios,
Na cidade de Natal,
No hotel que hospedei-me
Apareceu um jornal,
Que dizia que no céu
Se divulgava um sinal.
 

O sinal era o cometa
Que devia aparecer,
Em Maio, no dia 18
Tudo havia de morrer,
Aí sentei-me no banco,
Principiei a gemer.
 

Gemi até ficar rouco
Fiquei logo descorado,
Depois o sangue subiu-me
Que fiquei quase encarnado,
Imaginando n’um livro
Que um freguês levou fiado.

 
Encontramos numa tese acadêmica da PUC/RJ, intitulada “O cometa do fim do mundo: Ciência e superstição na imprensa carioca de 1910”, de Maria Elisa Bezerra de Araujo, algumas considerações do astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão sobre a passagem do famoso cometa no início do Século XX. Na sua análise, as expectativas dos cientistas no início do século com relação à aparição do Halley era de que não houvesse mais reações de medo. Segundo o autor, depois que Edmund Halley, em 1695, descobriu que os cometas obedeciam a leis da física e estabeleceu o ciclo do cometa que leva seu nome, “acreditou-se que todo o temor em relação aos cometas deveria cessar numa civilização racional e tecnologicamente desenvolvida”. No entanto, prossegue Mourão, o que se constatou foi que por todo o mundo surgiam manifestações de pânico. O astrônomo afirma ainda que “a despeito de todo o avanço científico, o homem ainda mantém todo um universo de sentimentos e expectativas onde os cometas continuam a ser mais que astros catalogados astronomicamente, pressagiando desgraças ou renovando esperanças”.
 
Leandro não embarca nessa onda de histeria coletiva. Além de não levar a sério esse temor infundado, vale-se de sua irreverência e bom humor para criticar a usura dos ingleses e comerciantes, que se apressam em cobrar as dívidas dos seus fregueses antes do “fim do mundo”. É salvo, com toda família, graças a uma poderosa oração, recitada em prosa no final do poema, e o providencial auxílio de uma bendita panelada e um garrafão de sua bebida predileta, a famosa “aguardente Imaculada”, do engenho do Sr. Láo. Trata-se, evidentemente, de um dos melhores folhetos “jornalísticos” do mestre de Pombal-PB.
 
A 17 de maio,
A fortaleza salvou,
Eu comendo a panelada
Que a velhinha cozinhou,
Quando um menino me disse:
- Papai, o bicho estourou!
 
Aí eu juntei os pratos,
Embolei todo o pirão,
Botei o caldo num pote,
Peguei-me com o garrafão,
Me ajoelhei, rezei logo,
O ato de contrição.
Aí disse eu: 
— Eu beberrão me confesso a pipa, a bem-aventurada imaculada de Serra Grande, ao bem-aventurado vinho de caju, a bem-aventurada genebra de Holanda, vinhos de frutas, apóstolos de deus Baccho, e a vós, oh caxixi que estais à direita de todas as bebidas na prateleira do marinheiro.
Amém.
 
Quando eu acabei de orar,
Olhei para amplidão,
Ouvia dançar mazurca,
Cantar, tocar violão,
Era um anjo que dizia:
- Bravos de tua oração!
 
Aí um anjo chegou,
Com uma túnica encarnada,
Disse: - Sou de Serra-Grande,
De uma fazenda falada,
Eu sou o que cerca o trono
Da gostosa imaculada.
 
Sr. Láu, o proprietário,
Do reino onde ela mora,
Me mandou agradecer-lhe,
A súplica que fez agora,
Aí apertou-me a mão
E lá foi o anjo embora.


A esse respeito é importante observar o que escreveu o pesquisador cearense Francisco Cláudio Alves Marques em seu livro “Um pau com formigas ou o Mundo às avessas” (Edusp, 2014): “Geralmente, na literatura de cordel, as histórias em torno do tema da cachaça têm valor como comentário sobre a moralidade do álcool e os costumes da sociedade. Contudo, em Leandro Gomes de Barros, a bebida é concebida como um dos prazeres da vida e não como um vício; válvula de escape e pretexto para que se digam as verdades mais contundentes sobre o sistema e seus representantes”. O autor enxerga neste e noutros poemas de Leandro traços de uma “festa dionisíaca”.

 
 
O COMETA EM PORTUGAL...
 

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

LIVROS À VENDA


Encontro com a consciência - cordel infanto juvenil ilustrado
Editora IMEPH - R$ 30,00


Leandro Gomes de Barros - Vida e obra
Edições Fundação Sintaf/Queima-Bucha
R$ 25,00


Acorda Cordel na Sala de Aula
Edição do autor - R$ 30,00

INFORMAÇÕES:
 
 
O BAÚ DA GAIATICE
Editora Assaré - R$ 25,00
 

 
O Rei do Baião do Nordeste para o mundo
Editora Planeta - R$ 20,00

 
Folhetos variados, de 8 a 40 páginas - A partir de R$ 2,00
 
INFORMAÇÕES:
 
 
O Jumento Melindroso desafiando a Ciência
Edição do autor - R$ 15,00
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Porque não sou Charlie...


NO TEMPO DA LAMPARINA
E DO INCHUÍ MAGO

 
Ilustração: Arievaldo / Klévisson Vianna


Apesar de não parecer tão velho eu sou um menino das antigas, do tempo da lamparina, do pano de coar café armado em duas varetas de marmeleiro, do ferro de engomar à brasa e do leite mugido tomado na porteira do curral. Sou do tempo da cueca de morim ou de algodãozinho infestado, do par de 'quinaipes', da calça de tergal, do kichute e da camisa de volta-ao-mundo. No meu tempo se tangia gado montado à cavalo e não nessas motocicletas possantes de hoje em dia. Havia merenda a base de jerimum com leite e ceias de coalhada com farinha e rapadura. Iogurte! Que diabo é isso? A velha e boa coalhada era cem vezes melhor do que esses laticínios enlatados de hoje em dia e eu não troco a minha tapioca pela pizza de ninguém.

No meu tempo se chupava manga tirada do pé e não das prateleiras dos supermercados. Nada de manga “Tommy”... era manguita, manga coité, jordão, manga rosa, manga foice e manga espada. Sim, naquele tempo menino de verdade tinha que ser espada... arrebentava os joelhos numa queda de jumento e não podia chorar na hora de passar o velho merthiolate. Eu acredito que os meninos da minha geração foram os últimos dessa estirpe. De 75 pra cá eu comecei a ver menino comendo maçã raspada de colher, geleias acondicionadas em embalagens de luxo, além dos achocolatados e afins. No meu tempo era o velho mingau de araruta que até servia de rima quando se queria xingar alguém.

A primeira vez que eu vi um picolé foi no Quixeramobim. Foi um dia especial... Fomos numa Rural marca Willys, do meu tio Zé Adauto, vi a ponte, a matriz e o trem da velha cidade sertaneja pela primeira vez. Nesse tempo ainda havia trens de passageiros e eu fui brincar justo na linha do trem, para vexame dos meus pais, que me salvaram por um tris de ser esmagado pelas rodas de ferro da locomotiva. Me deram um picolé da Maguary, que eu recebi muito animado e curioso, mas na hora de chupar, por não ter a menor noção daquela temperatura, “rebolei o picolé no mato” dizendo que o mesmo estava muito quente!

Mel em sachê? Eu nunca vi isso no meu tempo de menino... a gente saia era armado de baladeira para derrubar enchuís a pedradas e voltava pra casa sempre com um olho fechado e os beiços inchados devido a ferroada das abelhas. Menino brabo era chamado de “inchuí magro”. Se fosse grande demais para idade era “galalau” e se fosse raquítico diziam que era “movido”. Até hoje não entendi o significado desse termo... “movido”. Talvez, forçando a barra, seria uma corruptela da palavra mirrado. Quem não crescia era encruado ou batoré. Naquele tempo menino dormia numa “fianga” e rezava para não mijar na rede.

Todo menino sabia construir seus próprios brinquedos. Nesse tempo, “blay-blade” se chamava carrapeta e “arraia” era feita com papel seda, molambos e palitos de coqueiro. Sem falar no cavalinho de tala de carnaúba, pandeirinhos de lata de doce com guizos de tampa de guaraná amassadas e na flauta de taboca. Só se andava por veredas, à noite, dizendo essa quadrinha em voz alta: 

São Bento, água benta
Jesus Cristo no altar
Quem tiver no 'mei' do caminho
Se arrede pra mim passar. 

Era oração poderosa para São nos livrar de mordida de cobra. Se caía um argueiro no olho, a avó ou a tia mais próxima ensinava logo: 

Corre, corre, cavaleiro
Vai na casa de São Pedro
Dizer a Santa Luzia
que mande o lencinho dela
Para tirar esse argueiro.

Por falar em Santa Luzia, todo ano a vovó fazia a experiência das pedrinhas de sal, na noite de 12 para 13 de dezembro, a fim de saber se haveria chuva no ano seguinte. O grande folclorista Sílvio Romero fala de um cientista (o naturalista George Gardner) que esteve aqui pelo Ceará em meados do século XIX e ao presenciar o resultado de uma dessas experiências sertanejas, contradisse a dona da casa, baseado nas suas pesquisas meteorológicas:

- Non, non, non chove... Luzia mentiu!

Eu fiz até um livreto de cordel narrando um episódio parecido, intitulado “O jumento Melindroso desafiando a Ciência”, onde o jegue, é claro, leva vantagem sobre as previsões desse ancestral dos homens da FUNCEME (Fundação Cearense de Meteorologia), que segundo dizem, não dá uma dentro.

No que tange à religião todo menino era batizado um mês depois de nascido e começava a frequentar aulas de catecismo assim que completava os sete anos de idade. De pequeno já acompanhava terços, novenas, procissões missas e outras celebrações da igreja católica, à qual a grande maioria era filiada. Na semana santa se cobria os santos da casa com panos roxos e não se ligava o rádio para não ouvir música no dia da Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Até as emissoras de rádio botavam uma programação especial, com música clássica da melhor qualidade. Algumas encenavam a paixão de Cristo com radioatores, com direito a muito choro e efeitos especiais. Era impossível não ser tomado por uma sensação de tristeza e respeito por toda aquela aura de misticismo. A própria atmosfera conspirava para isso e a natureza se calava também. Era raro se ouvir o canto de um pássaro nesses dias. Ainda lembro da visita pastoral de Dom Rufino, bispo da Diocese de Quixadá, que andou em Santas Missões pelo Castro, Lacrau (hoje se chama União) e São José da Macaóca. Não perdíamos uma sequer. De manhã cedo papai selava os cavalos e botava a meninada miúda em caçuás, no lombo do jumento Piau. Os maiores iam na garupa do cavalo. Os meninos de 14 anos já podiam se crismar... Era a confirmação do batismo. A Dilma do Marçal, uma velha doida e atoleimada, queria crismar os seus antes do tempo. Botou o Antônio mesmo na cabeça do pelotão dos que iam se crismar. Acho até que ele nem frequentara as reuniões da Crisma. Dom Rufino, com seu jeito simpático e bonachão indagou:

- Que idade tem esse menino?

A Dilma era doida, mas não era burra, então foi logo dizendo:

- Tem doze... tem treze... é mesmo que ter catorze!!! Pode crismar logo!

O bispo sorriu, balançou a cabeça e crismou.

Eu vi televisão pela primeira vez aos 10 anos de idade... E era televisão pública, na praça de Madalena, com imagem em preto e branco e som distorcido, com direito a todo tipo de chiado. E ainda tinha mulher que suspirava quando aparecia o Francisco Cuoco com aquele seu olhar de cabra morta e seu jeito canastrão.

Afinal de contas, meu povo, para encurtar essa conversa, eu sou do tempo do Scooby Doo! É por isso que eu não sou nem quero ser esse tal de CHARLIE HEBDO. Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. O Scooby Doo entrou aqui por força de rima... é o poeta querendo ocupar o lugar do cronista. Os franceses que mexam o seu angu escaldado pois quem provar desse pirão, come cinturão. Tá doido, rapaz?! Mexer com a crença religiosa das pessoas é a mesma coisa que cutucar um inchuí mago com um cipó de marmeleiro.

Arievaldo Viana (14-01-2015)

sábado, 27 de dezembro de 2014

AINDA LEANDRO...



Por e-mail, recebi esse texto do poeta Geraldo Amâncio, um dos maiores expoentes da cantoria na atualidade e também excelente poeta de bancada (seu cordel sobre Antonio Conselheiro e a Saga de Canudos não me deixam mentir), falando de suas impressões sobre o livro “LEANDRO GOMES DE BARROS – VIDA E OBRA, de minha autoria. É mais que gratificante granjear o reconhecimento de uma figura como Geraldo, depois de uma pesquisa longa e exaustiva como essa que acabo de transformar em livro:

“Neste final de semana concluí a leitura de um dos melhores livros que já tive oportunidade de ter em mãos. Trata da trajetória sofrida e gloriosa do poeta maior que até hoje o cordel conhece: Leandro Gomes de Barros.
O livro fala da orfandade do genial poeta aos 8 anos de idade, dos dias de escolaridade e desentendimento com o tio padre, mestre latinista que tornara-se o seu tutor. Da sua grande amizade com o poeta escritor Francisco das Chagas Batista, onde a força da poesia e a similaridade de talentos fizeram com que a admiração dos dois fosse recíproca.
Mostra a cópia da certidão de óbito precoce em 1918. Aborda o assunto da venda da sua produção poética, pela viúva, ao também poeta cordelista João Martins de Athayde que depois, de forma impiedosa e até covarde, exclui o nome do autor  das obras e vende como sendo de sua autoria. Trunca os acrósticos para confundir os leitores e dessa forma cria uma polêmica que perdura até os dias de hoje, entre os pesquisadores de faro mais apurado.
O livro é desses que a gente ler até o sono chegar e dorme querendo acordar, para ler as páginas seguintes.
Se a internet fosse capaz de transpor os umbrais do infinito e levasse ao poeta Leandro Gomes de Barros o que está contido nesse livro, ele ficaria embevecido, deslumbrado e agradecido ao poeta Arievaldo Vianna, pela justiça feita em torno da sua obra e do seu nome.
Desconheço quem tenha feito algo de maior envergadura. O livro é uma preciosidade. Parabéns poeta Ariveldo Viana. Que Deus o inspire sempre”.  

Com muita admiração,

Geraldo Amancio
Fortaleza, 24/12/2014.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

MEMÓRIA DA POESIA POPULAR


Hoje tomei conhecimento da existência de um site maravilhoso - MEMÓRIA DA POESIA POPULAR - que traz a biografia e a obra de centenas de poetas da Literatura de Cordel, desde Leandro Gomes de Barros aos novos expoentes. O verbete que trata de minha biografia é bastante extenso e me pareceu irretocável. 

Vejamos:



Poeta Arievaldo Viana Lima
Síntese biográfica
Fonte: http://memoriasdapoesiapopular.wordpress.com/tag/arievaldo-viana-lima/

Arievaldo Viana Lima (18/09/1967)



Arievaldo Viana Lima é a prova inconteste da importância e benefícios da contação de histórias, que ajuda a criança a criar asas e voar através da fantasia, despertando sua criatividade e imaginação, além da aquisição da cultura, conhecimentos e valores. Em sua autobiografia, ele narra que por volta dos 4 ou 5 anos se deleitava em ouvir sua avó Alzira Sousa, que era colecionadora de folhetos, lendo versos da literatura popular para uma plateia atenta e embevecida. Foi ouvindo A Vida de Cancão de Fogo e o seu Testamento, As proezas de João Grilo, Travessuras de Pedro Malazartes e outros folhetos, e por meio de uma Carta de ABC foi alfabetizado por D. Alzira, e logo surpreendeu a todos ao ser encontrado lendo, em voz alta, A chegada de Lampião no inferno.

As contações de histórias eram estendidas para outros momentos, tais como o trajeto entre a Fazenda Ouro Preto (Quixeramobim-CE), onde nasceu e criou-se, e Olho d´água das Coronhas, localizado no sopé do serrote dos Três Irmãos, quando ao ir buscar água, o pai ia cantando seu romance preferido – A batalha de Oliveiros com Ferrabrás. Também foi seduzido pelas narrativas de uma velha rezadeira D. Bastiana, cuja neta, Rita Maria, enfeitiçava com suas histórias de trancoso. Entre feitiços e encantos, foi tomado pela paixão por folhetos, e aos 6 ou 7 anos, após juntar moedas, comprou alguns para sua coleção a um folheteiro na Praça Thomaz Barbosa, centro de Canindé – CE. Momento único assim descrito pelo poeta:

Um espetáculo magnífico, que ainda hoje trago retido nas dobras da memória. Havia folhetos editados na Tipografia das Filhas de José Bernardo, de Manoel Caboclo e Silva, de João José da Silva e de Manoel Camilo dos Santos. Lembro-me bem de haver comprado “Roberto do Diabo”, “Intriga do Cachorro com o Gato”, “Roldão no Leão de Ouro” e “O príncipe do Barro Branco no Reino do Vai-não-torna” (AUTOBIOGRAFIA ARIEVALDO, 2014).

O filho primogênito do poeta de improviso Francisco Evaldo de Sousa Lima, e Hathane Maria Viana Lima, acreditando que a alfabetização é fundamental, criou em 2002 o projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, para alfabetização de jovens e adultos por meio da poesia popular, que foi adotado em diversos municípios brasileiros, dentre eles Quixeramobim – CE, sua terra natal.

Este poeta popular, radialista, ilustrador e publicitário, em 2000 passou a ser membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), onde ocupa a cadeira de nº 40 da, cujo patrono é João Melchíades Ferreira da Silva.

Apresenta uma vasta produção literária e publicou em parceria com os poetas Pedro Paulo Paulino, Jota Batista, Klévisson Viana, Gonzaga Vieira, Zé Maria de Fortaleza, Manoel Monteiro da Silva, Rouxinol do Rinaré e Marco Haurélio.

Com mais de 100 cordéis e vários livros publicados, escreveu sua primeira obra por volta dos 8 ou 9 anos de idade, quando escrevinhou suas primeiras sextilhas, contando evento ocorrido com os primos Totonho, Osvaldo e Marquinhos, que colocaram os frutos verdes de um pé de cabaceira, que havia no quintal do avô, na fogueira de São João, vindo a serem sovados pelo avô que queria as cabaças para outros fins. Assim, ele rememora suas habilidades editorias na confecção desse folheto:

Eu pegava um papel que vinha no miolo de uma caixa de Maisena, dobrava ao meio e fazia o miolo de um libreto do mesmo formato de um cordel. Depois pegava aquele papel de embrulho verde ou rosa que havia no balcão da bodega do meu avô e fazia a capa do verso. Pra completar, escrevia em letra de forma e fazia uma capa com caneta preta, imitando uma xilogravura (AUTOBIOGRAFIA ARIEVALDO, 2014).

Recebeu influências dos seus poetas populares preferidos Leandro Gomes de Barros e José Pacheco da Rocha, além dos versos dos ilustres Olavo Bilac, Castro Alves, Augusto dos Anjos e Gregório de Matos Guerra (Boca do Inferno), este último com uma produção satírica que pode se equiparar aos fundamentos do cordel.

Em janeiro de 1978, foi residir em casa de parentes em Maracanaú, município da região metropolitana de Fortaleza, para dar sequência aos estudos, época em que economizava o dinheiro enviado pela avó para o lanche e comprava cordéis vendidos por José Flor. As férias eram passadas na casa dos avós, ocasiões de reencontro com os primos, que vinham de Canindé, e à noite, sob a lâmpada de gás butano da sala de jantar lia não só os folhetos levados na mala, como também sua produção, como por exemplo, As proezas de Jota Severo numa paga do Bolsão, escrito aos 13 anos.

Em 1980, foi residir com os pais na cidade de Canindé. Tempos depois passou a colaborar no jornal O POVO de domingo com uma “tira” do cangaceiro “Nonato Lamparina”, personagem inventado em 1982. Na década seguinte, passou a trabalhar em agências de propaganda de Fortaleza, tempos difíceis para o cordel, quando sentia dificuldade em encontrar folheteiros nas visitas a Canindé, onde só encontrava material da Editora Luzeiro – SP. Preocupado com a decadência do folheto de feira, voltou a produzir, inclusive em parceria com Pedro Paulo Paulino e Gonzaga Vieira, ocasião em que publicaram a Coleção Cancão de Fogo.

Ao adaptar Luzia Homem para cordel, Viana obteve o primeiro lugar do prêmio Domingos Olympio de Literatura (2002), promovido pela Prefeitura de Sobral – CE e ficou entre os dez primeiros colocados do Concurso de Literatura de Cordel promovido pelo Metrô de São Paulo.

FONTES CONSULTADAS

ARIEVALDO VIANA. In: O NORDESTE: enciclopédia Nordeste. Disponível em: <http://onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Arievaldo+Viana>. Acesso em: 6 nov. 2014.

ARIEVALDO VIANA. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Arievaldo_Viana>. Acesso em: 05 nov. 2014.

AUTO-BIOGRAFIA ARIEVALDO. Disponível em: <http://www.flogao.com.br/arievaldocordel/71441038>. Acesso em: 6 nov. 2014.

PROJETO Acorda Cordel na Sala de Aula comemora 10 anos. Disponível em: <http://www.vermelho.org.br/ce/noticia.php?id_secao=61&id_noticia=134220>. Acesso em: 6 nov. 2014.


VIANNA, Arievaldo. Centenário de Manoel Barbosa Lima, meu “avôhai”. Disponível em: <http://www.luizberto.com/mala-da-cobra-arievaldo-vianna/centenario-de-manoel-barbosa-lima-meu-%E2%80%9Cavohai%E2%80%9D>. Acesso em: 6 nov. 2014.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

AGENDE-SE

QUARTA-FEIRA, 10/12, TEREMOS O LANÇAMENTO MAIS ESPERADO DA XI BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO CEARÁ!


Lançamento da BIOGRAFIA de Leandro Gomes de Barros, o mestre da Literatura de Cordel, na próxima quarta-feira, 10/12, a partir das 15h. Agende-se!



PROGRAMAÇÃO DA QUARTA FEIRA

10.12.2014 (Quarta-Feira)

Auditório Principal (Térreo)

09h00 - 17h00: Apresentação do Projeto Nas Ondas da Leitura com lançamentos de livros de crianças dos municípios de Acopiara, Camocim, Croatá, Eusébio, Granja, Morada Nova, Novo Oriente, Pentecoste, Recife, Tauá, Ubajara e Viçosa do Ceará e o lançamento do livro do poeta Pedro Bandeira do Juazeiro – “Príncipe dos poetas populares”.

Praça José de Alencar (Térreo)
12h00 - 14h00: Almoço com poesia: poesia é pra comer – homenagem a Francisco Carvalho, com Templo da Poesia

Praça do Cordel (Térreo)
14h00 – 16h30: Oficina de cordel com Guaipuan Vieira e Pardal (vê local na Praça do Cordel)

15h: Abertura do IV Congresso de Cordelistas, Editores e Folheteiros:
Palestra: “A Literatura de Cordel de Inácio da Catingueira, Leandro Gomes de Barros aos dias atuais” com Arievaldo Viana e Arlene Holanda.
Lançamento dos livros: “Leandro Gomes de Barros – Vida e Obra” e “Inácio, o Cantador-Rei de Catingueira” de Arievaldo e Arlene Holanda.
Mediação: Antônio Andrade Leal (Tuíca do Cordel)


17h: Lançamento do livro: “A Roupa Nova do Rei, ou o encontro de João Grilo com Pedro Malazarte” de Marco Haurélio(Editora Volta & Meia)

18h: Recital: Grupo CECORDEL; lançamento dos folhetos: “Adeus a Jair Rodrigues” e “A Nação apavorada com medo da violência” de Guaipuan Vieira; “As façanhas de Josué e seu bodinho milagreiro”, “Tudo pela vida, nada pelo aborto”, “O encontro do grilo com a borboleta” de Gerardo Carvalho Frota (Pardal), “O milagre do reencontro” de Edson Neto e “Meu Quixadá” de Maria Luciene e 
lançamento dos livros: “Cultivos da terra cantados em versos populares” de Pardal e “Histórias infantis em poesia popular” de Vânia Freitas

19h: Lançamento dos cordéis “A chegada de Seu Lunga no Céu” de Paulo de Tarso e “O Auto do Velho Lunga – inferno, céu e purgatório” de Arievaldo Viana e Klévisson Viana,“A chegada de Seu Lunga no Paraíso Celeste” de Jesus Rodrigues Sindeaux e “A chegada de Seu Lunga no Reino Celestial”

19h30: Lançamento do livro: “Cordel da Natureza”, de Doizinho Quental e Zé Maria de Fortaleza.
Recital de Zé Maria de Fortaleza e convidados

IMAGENS DA BIENAL - PRAÇA DO CORDEL

Com Bia Bedran e Albanisa Dummar

Carlos Dantas, Klévisson, Anderson Sandes, Arievaldo Vianna, Vevé e Costa Senna

Stênio Diniz e Marcelo Soares

Evaristo Geraldo e Tuíca do Cordel