quinta-feira, 17 de julho de 2014

RUMO À FLIPINHA DE PARATY-RJ




Estaremos na FLIPINHA 2014, de Paraty-RJ, no período de 31/07 a 03/08, oportunidade em que participaremos de duas palestras, em parceria com o poeta Fábio Sombra. Na oportunidade, lançaremos 4 novos livros:
1 - OTELO E DESDÊMONA - O Mouro de Veneza em Cordel - Pallas Editora
2 -JOÃO BOCÓ E O GANSO DE OURO - Editora Globo
3 - SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO EM CORDEL - Amaryllis
4 - CERVANTES EM CORDEL - Quatro Novelas Exemplares (parceria com Stélio Torquato).
Os três primeiros livros são ilustrados por Jô Oliveira. 

Flipinha e FlipZona, a festa das crianças e dos jovens



FOTO: DIVULGAÇÃO


Programação infantil traz encontros com autores e ilustradores

PARATY - Parte da programação da Flipinha, a Ciranda dos Autores leva a Paraty um time de nove escritores e seis ilustradores de livros infantis, que participam de encontros aguardados com expectativa pelos alunos das escolas da cidade.
A mesa Da memória às histórias, que reúne as ilustradoras Laura Teixeira e Luciana Grether Carvalho marca a abertura das atividades na tenda da Flipinha. Ilustração é o tema da conversa de Daniel Kondo, que desenhou Contos das quatro estações e Domingão joia, e Mario Bag, cujos traços estão em Mentiras caipiras e Mitos e lendas do folclore do Brasil.
Entre os destaques, também aparecem a cultura indígena, com o amazonense Roni Wasiry Guará, do povo Maranguá, e a temática nordestina, presente nas obras Cordel da Candelária e Cordel das cavalhadas, de Sandra Lopes; e nas adaptações de Shakespeare para o teatro e o cordel, de Arievaldo Viana.
Complementam as atividades da Flipinha as apresentações de alunos das escolas de Paraty, os já tradicionais “pés de livro”, que convidam à leitura sob as árvores da Praça da Matriz, e a mesa em homenagem a Millôr Fernandes.
Formação de leitores
Ao longo do ano, a Casa Azul desenvolve em Paraty um trabalho permanente de formação de leitores, como parte do programa educativo da Biblioteca Casa Azul, que envolve cerca de 13 mil alunos de mais de 40 escolas públicas e privadas da região. No início do ano letivo, os professores recebem o Manual da Flipinha, material didático com informações sobre a vida e a obra dos autores convidados, e participam de uma oficina de formação. É o ponto de partida para trabalharem a Flipinha em sala de aula, com leituras e atividades práticas que culminam nas apresentações dos alunos nos dias de festa.
FlipZona: espaço de experimentação
A programação jovem contempla diferentes áreas de interesse e se caracteriza pela presença de múltiplas linguagens, como a produção audiovisual e o grafite. Palestras, bate-papos e oficinas fazem parte da programação, que traz para o universo jovem alguns autores da programação da Flip, como Antonio Prata e Eliane Brum, e da Flipinha, como a escritora e roteirista Rosana Rios.

Ao longo dos cinco dias da Flip, um grupo de jovens paratienses estará ativo na Central FlipZona – uma redação jornalística que fará a cobertura de toda a festa literária. No último dia, domingo, será a vez de apresentarem sua produção audiovisual: é o CineZona.
Oficinas para jovens
Assim como na Flipinha, o trabalho de formação com foco nos leitores jovens – sob o nome de FlipZona – também é um movimento que acontece o ano inteiro na Biblioteca Casa Azul, em Paraty. Sempre aberta a novos participantes, a FlipZona mantém um blog e realiza oficinas de artes visuais e literatura. Em abril e maio de 2014, realizou uma oficina de fotografia com Walter Craveiro, fotógrafo oficial da Flip, e uma oficina de grafite, com o designer e grafiteiro carioca Meton Joffily. Participaram cerca de 80 jovens paratienses.


SAIBA MAIS: http://www.avozdacidade.com/site/page/noticias_interna.asp?categoria=56&cod=33984

sexta-feira, 4 de julho de 2014

ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA





Este foi um dos primeiros 'romances' que escrevi. Em 2000 fui incumbido pelo amigo Aragaci Monteiro Chaves, então presidente da Câmara Muncipal de Tabuleiro do Norte, para diagramar e ilustrar um livro com as memórias de seu pai, Ramiro Monteiro Chaves, um pioneiro das estradas que rodou esse Brasil imenso de Norte a Sul, colecionando histórias. Ramiro, homem sensível e inteligente, admirador da poesia popular, amigo dos irmãos Batista, os cantadores mais famosos daquele tempo, tinha o hábito de anotar suas memórias num velho caderno que acabou se transformando em livro, por esforço de seu filho Aragaci.
Um dos contos mais interessantes é este "ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA" que resolvi transformar em cordel, procurando não me distanciar, emocionalmente, do roteiro traçado por Ramiro. O conto tem paralelos com uma obra de Simões Lopes Neto "TREZENTAS ONÇAS", porém o desfecho da obra de Ramiro é ainda mais surpreendente do que no conto de Simões. Creio que Ramiro, homem intuitivo, de poucas leituras. Talvez jamais tenha lido o escritor gaúcho.

TRECHOS

(...)


Nesse tempo se vivia
Com certa tranqüilidade
O povo de antigamente
Prezava a honestidade
Seu Leonel era um desses
Que não pensava em maldade

Mas foi a fatalidade
Que este dano originou
Chegando na oiticica
Os seus alforjes tirou
Num galho da dita árvore
Com cuidado pendurou.

Dentro de um dos alforjes
A sua fortuna estava
Mais de cem contos de réis
O fazendeiro levava
Com um lapso de memória 
Este pobre não contava.

Depois que almoçou bem
Armou a rede e dormiu
Quando bateu duas horas
Selou o burro e saiu
Lá os alforjes ficaram
E seu Leonel não viu.

Esqueceu sua fortuna
Talvez devido a soneira
No seu burro de valor
Galopou a tarde inteira
Coitado, sem se dar conta.
Da sua grande leseira.

Na casa de um compadre
Dormir ele pretendia
Como de fato chegou
Ao toque da Ave-Maria
Cumprimentou o compadre
Com afeto e alegria.

Mas veio o golpe fatal
Quando tirou a bagagem
Que não viu os seus alforjes
Pensou que fosse visagem
Junto com o seu compadre
Ganhou de novo a rodagem.

Porque a dita oiticica
Dali era bem distante
Coisa de umas sete léguas
E o fazendeiro errante
Seguia a todo galope
Nessa hora angustiante.

Chegando na oiticica
Nem sinal ele encontrou
Alforje, dinheiro e tudo.
Passou alguém e levou
Agora o leitor calcule
De que forma ele ficou!

(...)



SOBRE O LIVRO DE MEMÓRIAS DE RAMIRO -  Ramiro Monteiro Chaves, caminhoneiro natural de Tabuleiro do Norte-CE, percorreu os quatro cantos do país nas décadas de 50 a 70 do século passado. O lançamento aconteceu em 2003, por ocasião da Romaria dos Caminhoneiros, que ocorre anualmente nos dias 06 e 07 de setembro naquela cidade do Vale Jaguaribano.
O livro surpreende tanto pela originalidade quanto pela beleza e simplicidade de sua narrativa. Ramiro Monteiro, entre uma viagem e outra que fazia, ocupava-se em elaborar um diário “de bordo” contendo um resumo de suas andanças e os fatos mais pitorescos ocorridos em sua volta. Alguns  deles se enveredam pelo terreno humorístico. Certa feita, Ramiro e seu ajudante Zé de Omar chegaram numa cidade de Santa Catarina e hospedaram-se na vinícola de um italiano, esperando um carregamento de vinho para Sobral. Depois de um bate papo amistoso, o italiano lançou um desafio aos dois cearenses:

-        Quero ver quem é que come 100 gramas de queijo enquanto eu tomo uma cerveja de colher na copa deste prato.  Vamos ver quem termina primeiro?

Ramiro olhou para o ajudante e perguntou?

-        Você topa, Zé?

O Zé topou e não deu moleza. “Tacou a paêta pra riba”. Coisa de uns três minutos depois, levantou-se eufórico e escancarou a bocarra. Não havia mais um farelo do laticínio, enquanto o italiano padecia para terminar de ingerir a bebida. O certo é que o anfitrião deu-se por vencido e comentou que nunca havia sido vencido nessa aposta.
-        É nisso que dá apostar com cearense “esgalamido”... comentou rindo o caminhoneiro.



terça-feira, 1 de julho de 2014

O BATIZADO DO GATO EM EXPOSIÇÃO NA CEILÂNDIA


O folheto O BATIZADO DO GATO, de Arievaldo Viana 
é uma das obras selecionadas nessa exposição

No dia 27 de março, Ceilândia completa 43 anos. A maior cidade do Distrito Federal, com mais de 400 mil habitantes, celebra mais um ano e o JK Shopping (Avenida Hélio Prates) preparou uma programação cultural intensa para valorizar as raízes históricas de seus moradores, grande parte vindos da região Nordeste. Entre os dias 14 e 30 de março acontece, na praça central do mall, a exposição “Encanta Ceilândia – Xilogravura e Cordel”, com muita poesia, artes plásticas, teatro, música, oficinas e brincadeiras lúdicas. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é livre.





A proposta é que o público vivencie, de forme interativa, lembranças e emoções do povo nordestino, de uma arte que traz todo contexto cultural e social, além de seu refinado apreço estético. Os visitantes contam com o auxílio de monitores para explicações e esclarecer as dúvidas. De acordo com o superintende do JK Shopping, Sidney Pereira, para o grupo é muito importante festejar a data, junto com a comunidade que os acolheu tão bem. “São elementos muito fortes da identidade do povo que construiu a Ceilândia. E neste aniversário queremos reforçar os laços entre a comunidade e o shopping, ressaltando o que têm de mais rico, que é sua cultura. A curadoria passou por uma criteriosa seleção, com nível dos grandes museus, que cada vez mais tem destacado espaço para a arte popular”.



Escolas, públicas e particulares, e entidades com fins educativas podem agendar visitas guiadas à exposição, como parte do projeto “Escola – Arte e Identidade”, promovendo o conhecimento histórico, cultural e social da comunidade de turmas do 4º ao 9º ano. Os horários podem ser marcados entre os dias 17 a 28 de março pelo telefone (61) 3246-8608. A expectativa é que mais de mil crianças passem pelo projeto e tenham momentos de apreciação artística e intelectual.


“Nosso objetivo é unir aprendizagem e entretenimento, para que as novas gerações compreendam melhor suas raízes e de seus antepassados. Assim elas podem se aproximar ainda mais de um povo que foi responsável pela construção de uma importante cidade da capital do país”, explica Sidney Pereira sobre a importância do projeto.

Exposição Xilogravura
Uma arte minuciosa e bem marcantes. A xilogravura consiste em uma técnica de entalhamento da madeira para ser usada como uma espécie de carimbo. É uma das principais formas de expressão que caracterizam a arte do Nordeste. Assim como o cordel, nasceu em feiras populares como uma opção barata de entretenimento. Quem passar pelo evento pode apreciar cerca de 40 obras dos mais importantes artistas, de notoriedade internacional, como os pernambucanos J. Borges, Marcelo Soares, J. Miguel, Dila, o capixaba que vive no Maranhão Airton Marinho e o cearense José Lourenço.


Cordel
Um dos elementos mais emblemáticos da literatura nordestina é o cordel. Famosa, por ser exposta pendurada em cordões, os textos trazem em forma de poesia histórias do cotidiano da região. Serão exibidas obras de expoentes da atualidadede diferentes partes do Brasil, como João Ferreira de Lima (As proezas de João Grilo), Leandro Gomes de Barros (A Batalha de Oliveiros com Ferrabrás/ A Donzela Teodora), Severino Milanês da Silva (Peleja de Severino Pinto com Severino Milanês), José Pacheco da Rocha (A Chegada de Lampião no Inferno/ A intriga do Cachorro com o Gato), João Melchiades (Roldão no Leão de Ouro), Arievaldo Viana (O Batizado do Gato), José Camelo de Melo Resende (Coco Verde e Melancia).

Destaque para o dia 27 de março, data oficial do aniversário da cidade, que será lançado um cordel que conta a história de Ceilândia. A obra é assinada pelos repentistas João Santana e Chico de Assis, que já se apresentaram em lugares como o Teatro Nacional e produziram obras para a TV, teatro e cinema, e a capa ilustrada por Jô Oliveira, artista que já recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais filatelistas com a criação do “melhor selo”. O texto conta a formação da cidade, que foi crescendo conforme a nova capital era construída: “No ano setenta e um/ Ceilândia foi batizada,/ Onze anos antes disso/ Brasília era inaugurada,/ Construída pela força/ Nordestina obstinada”.

Música
Artistas que cantam o nordeste em suas melodias e canções também fazem parte da programação, sempre das 20 às 21h. Confira a programação:

14/ 03 – (sexta) – Flomulengo
Banda brasiliense que entoa o tradicional forró pé de serra com canções de músicos consagrados como Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Elba Ramalho, Marinês e Dominguinhos.

15/03 – (sábado) – Alberto Salgado
Músico, compositor, violonista, percussionista e tocador de berimbau. Alberto Salgado é um artista de música popular brasileira, com diversos prêmios em sua carreira. Já gravou ao lado de Dominguinhos.

16/03 – (domingo) – Paraibola
A proposta do grupo é mostrar a música nordestina, que inclui xote, xaxado, xerém, baião, maxixe e maracatu, criando um repertório próprio que batizaram de forró Candango, ou seja estes ritmos falando da realidade de Brasília.

21/03 – (sexta) – Luizão do Forró
O paraibano sobe ao palco para embalar o público com o ritmo do forró pé de serra com seu inseparável acordeon. É um dos integrantes do trio Nordestinos Candangos que se apresenta no dia 29/03

22/03 – (sábado) – Carlinhos Veiga
O músico entoa em seus shows canções permeadas de regionalismo, embalados pelo som da viola caipira e viola de cocho.

23/03 – (domingo) – RAPadura Xique-Chico
O rapper inova ao misturar sua música com repente alimentado por muito coco, maracatu, forró, baião e cantigas de roda, que fazem dele o percussor de um movimento em defesa da cultura popular, integrando o rap contemporâneo à música de raiz. Já foi indicado ao VMB como aposta da MTV em 2012.

27/03 – (quinta) – Chico Assis e João Santana
A dupla de repentistas leva a música de raiz com muita melodia e poesia. Chico é potiguar e atualmente dirige a Casa do Cantador. João Santana é o único repentista nascido fora do Nordeste e já se apresentou em diversos países.

29/03 – (sábado) – Marcos Mesquita e Vitor Mesquita
Pai e filho violeiros, juntamente com sua banda, levam aos palcos o som da viola caipira, em sua essência, mas com influências do rock progressivo.

30/03 – (domingo) – Nordestinos Candangos
O trio de nordestinos radicados em Brasília desde os anos 70 traz música popular brasileira com características regionalistas do xote, xaxado, baião, frevo, toada e samba. Nos temas, o meio ambiente, causas sociais, belezas geográficas e das riquezas do povo brasileiro, além do amor.


Teatro
Para a criançada, o universo lúdico do teatro vem com toques de cultura popular, tanto em técnica como no enredo. Serão apresentadas peças teatrais, sempre das 16 às 17h, de duas companhias de destaque no DF.

15/03, 22/03 e 29/03 – Mamulengo Presepada – O Romance do Vaqueiro Benedito
Grupo que mistura elementos da cultura popular, em um jogo cênico que envolve atores, bonecos e música. Misturando personagens da cultura popular, com alguns mitológicos e outros simbólicos, a história se desenvolve conforme a participação da plateia.

16/03, 23/03 e 30/03 – Cia Expressão da Arena – O Conto do Baú
Grupo teatral de bonecos om histórias de literatura de cordel. A peça conta história de um menino do sertão que não pode ir à escola, pois precisa trabalhar. Sonhador, ele encontra um baú mágico e vai parar em uma terra encantada


Atividades de interação artística
Ao longo do evento serão desenvolvidas atividades interativas e educativas, nas quais o público se sinta parte do processo, totalmente de graça. Entre eles está um grande jogo de tabuleiro, colocado no chão e no qual as peças são as próprias pessoas. São colocados desafios com personagens, informações históricas e festas populares, todo ilustrado, com questões abordadas ao longo da exposição. Um momento de diversão para a família e para os alunos das escolas em visitação. Também é possível criar o próprio cordel em um painel de ímã gigante com personagens e ícones do universo da xilogravura.

Para quem quer aprender ainda mais, é possível desfrutar do “espaço leitura”, com um lounge e diversos títulos de cordel para apreciação. Já no “espaço criação” são desenvolvidas oficinas gratuitas para o visitante colocar a mão na massa e desenvolver sua própria xilogravura, conhecendo detalhadamente a técnica.

Encanta Ceilândia – Xilogravura e Cordel
Local: JK Shopping (Avenida Hélio Prates QNM 34 – entre Taguatinga e Ceilândia)
Data: 14 a 30/03
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: Livre
Informações/ agendamento para escolas e entidades: (61) 3246-8608

segunda-feira, 9 de junho de 2014

ADEUS A MANOEL MONTEIRO

Poeta Manoel Monteiro, em xilogravura de William Jeovah

A poesia popular está de luto. Um dos maiores entusiastas do cordel na sala de aula e um dos maiores cordelistas em atividade foi encontrado morto num quarto de hotel, em Belém do Pará. Conheci Manoel Monteiro em 1999, quando comecei a levar mais a sério a minha atividade como cordelista. Trocamos diversas correspondências e, finalmente, em 2001 ele veio me fazer uma visita em Fortaleza. Ficou hospedado na minha casa. Depois fui visitá-lo em Campina Grande, onde recebi sua maravilhosa acolhida. Participamos juntos de um evento na UEPB, a convite do professor Rangel Júnior. Guardo do poeta quase toda a sua obra e diversas correspondências que trocamos ao longo desses anos. 
(Arievaldo Viana)


Foto publicada em 23/09/2005, no Diário da Borborema


A matéria que circula hoje num jornal da Paraíba diz o seguinte:


POETA MANOEL MONTEIRO ENCONTRADO 

MORTO EM HOTEL DE BELÉM-PA

Está confirmado, o corpo do poeta Manoel Monteiro, 77, que estava desaparecido desde o dia 30 de maio, foi encontrado num quarto de hotel, em Belém do Pará, neste sábado (7). Uma das filhas do poeta, Kátia estará viajando por volta das 21h de hoje para fazer o reconhecimento.

Segundo informações de Kátia Monteiro, ela recebeu uma ligação na tarde deste sábado e a recepcionista do Hotel conferiu com ela a documentação do poeta, com a qual ele deu entrada para se hospedar e, ficou confirmado que se tratava mesmo do poeta Manoel Monteiro.
Ainda conforme explicou Katia, a recepcionista lhe informou que o poeta chegou na última terça-feira (3), entrou no quarto e não saiu mais de lá. Até que os funcionários começaram a desconfiar e sentir um mal cheiro, foi quando resolveram entrar em contato com a Polícia.
Após entrarem no quarto, encontraram o poeta Manoel Monteiro sem vida. Kátia disse que nos últimos dias, seu pai vinha falando que já tinha vivido demais e que já tinha feito o que devia em vida.
Ela acrescentou que o poeta Manoel Monteiro se encontrava num quadro depressivo e que tinha muito medo de se tornar uma pessoa inválida e dependente dos familiares, portanto, resolveu sair de casa sem avisar a ninguém e viajou para a cidade de Belém do Pará, onde foi encontrado hoje.

"Nós vínhamos lhe dando o máximo de atenção porque víamos por sua conversa que ele estava triste. Ele estava sempre dizendo que já tinha feito o que tinha de fazer em vida e que não queria se tornar uma pessoa inválida, dependente dos filhos e acabou nos pregando essa surpresa desagradável e triste. Estarei viajando agora à noite com o coração destruído….", desabafou sua filha, Kátia.

* * *

Comunicado da ABLC
No momento em que o colegiado da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, perde um dos seus mais luminosos astros, o presidente da entidade Gonçalo Ferreira da Silva, depois de consultar sua diretoria, decreta três dias de luto oficial em homenagem ao grande mestre Manoel Monteiro.
Gonçalo Ferreira da Silva

quarta-feira, 28 de maio de 2014

NOVO LIVRO



Acabo de receber alguns exemplares do meu novo trabalho, desta feita pela editora Manolle/Amarilys, uma adaptação da obra do grande dramaturgo inglês Shakespeare. Este leitor da foto parece que aprovou...

SOBRE O LIVO

Considerada um dos grandes legados da dramaturgia, a obra do inglês William Shakespeare, um dos maiores e mais conhecidos autores do gênero, sempre causou grande admiração, interesse e curiosidade naqueles que tiveram contato com ela. Em função disso e também da celebração dos 450 anos do nascimento deste grande dramaturgo, apresentamos aqui uma releitura, em linguagem de cordel, de um de seus textos clássicos: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO.
Sonho de uma noite de verão é um clássico da dramaturgia. Trata-se de uma comédia cheia de conflitos e desencontros, que mistura elementos da mitologia grega e da fábula, dando um ar fantástico à história. Neste livro, apresentamos uma releitura em cordel dessa peça clássica, mantendo a fidelidade ao texto original de William Shakespeare.

Sobre o autor:
Arievaldo Viana é escritor, poeta popular, ilustrador, chargista e xilogravador. Através do Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, criado em 2000, Arievaldo tem percorrido diversos estados brasileiros, realizando palestras, oficinas e recitais para estudantes, educadores e amantes da poesia popular nordestina.

Arievaldo foi eleito em 2000 para a cadeira de número 40 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Em 2002, conquistou o prêmio Domingos Olímpio de Literatura, promovido pela Prefeitura de Sobral, no Ceará. É autor de mais de 100 folhetos de cordel e tem cerca de 30 livros publicados, alguns dos quais adotados pelo MEC através do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

quarta-feira, 30 de abril de 2014

ABAIXO A POESIA!



MORTE AOS POETAS!
E BANANAS, MUITAS BANANAS PARA TODOS...

A cada dia que passa a gente se surpreende com mais um ato de barbárie ou de imbecilidade coletiva nesse velho país do futebol. Enquanto o oportunista Neymar posa com uma banana, dizendo que “SOMOS TODOS MACACOS”, um maluco quebra a estátua do poeta Ascenso Ferreira, às margens do rio Capibaribe, em Recife. Tempos atrás foi a vez do Patativa, que teve seu monumento quebrado em Assaré. É meus caros, no país do futebol parece que poesia é mesmo um estorvo!

A humanidade hoje em dia
Perdeu de vez o bom senso
Já quebraram o PATATIVA
Apedrejaram o ASCENSO
Em Recife, Pernambuco,
Que o mundo está maluco
Cada vez mais me convenço.

Nesse país tropical
Só se fala em futebol
Poesia é um estorvo
É baba de caracol
Bananas ao preconceito
Eu não quero ser prefeito
Nem estátua exposta ao sol.




ESTALTA DISMANTELADA
Patativa psicografado por
Arievaldo Viana e Pedro Paulo Paulino

Ô mamãe você num sabe
O qui foi qui aconteceu
Cum a minha bela estalta
Qui o dotô Luço mi deu...
Apregaram lá na praça
Feliz e achando graça
Mas veja só o caé...
Um sujeito ruim da vista
Cabilerêro, paulista,
Veio batê no Assaré.

O moço era atuleimado
E se dizia meu fã
Chegô na praça cedinho
Oito horas da menhã
Querendo tirá retrato
Fez um grande ispaiafato
Se atrepô no pedestá
Da estalta e desabô
Na queda ele me puxou
Cousa munto naturá.

Os meninos lá de casa
Pensando sê vandalismo
Trataro de discubrí
Quem me jogô no abismo...
Quebrei as perna, a cabeça,
Por incríve que pareça
Quebrei tombém as custela
Fiquei todo fachiado
Lá no chão, desmantelado
Cum tão medonha sequela.

Inda bem que esse moço
Não andou lá no Dragão
Imbora que ele dichesse
Qui tinha boa intenção
Se a ôtra estalta ele visse
Fazia a merma tolice
E num me deixava bem
Mamãe, eu tenho certeza
Se ele fosse a Fortaleza
Quebrava a ôtra tombém.


Eu já li foi no jorná
Escuitei em alta voz
Já quebram inté a estalta
Da Raquezim de Queiroz
Ô mundo dismantelado
Eu já não sei de que lado
Eu posso ficar em pé
Pois vivo nessa incerteza
Se fico na Fortaleza
Ou mermo no Assaré!

Nem estalta neste mundo
Tem um momento de calma
Na terra, eu sou uma estalta
E aqui tou como alma
Vagando na eternidade
Mas sinto munta é sodade
Da terrena vida minha
Fazendo verso e fumando
E de noite chamegando
Com minha insposa Belinha.

Aqui em riba, no céu
Eu num corto mais cabelo
Num vou a cabilerêro
Só pra num ver dismantelo
Aqui fiquei bom da vista
Cabilerêro paulista
Aqui num tira partido
E si vier me quebrá
É arriscado levá
Mãozada no pé-do-uvido.


* * *

quarta-feira, 23 de abril de 2014

450 anos do bardo bretão


Shakespeare no traço do paraense J. Bosco 

Shakespeare e Arievaldo Viana, por Jô Oliveira

SHAKESPEARE NUMA RELEITURA POPULAR

Desde criança tenho muito interesse e curiosidade pela obra de William Shakespeare, o renomado dramaturgo inglês, cujo nascimento ocorreu a 450 anos! Isso me levou a verter algumas de suas obras para a linguagem da poética popular. A adaptação de clássicos da literatura universal para a Literatura de Cordel não é uma novidade. Leandro Gomes de Barros, considerado um pioneiro nesse gênero, ocupou-se de livros como As mil e uma noites, História de Carlos Magno, Donzela Teodora e outros textos em prosa, de forte apelo popular, para extrair inspiração para seus folhetos. Há quem diga que, em sentido inverso, Willian Shakespeare aproveitou-se de matrizes populares, textos que circulavam em folhas soltas, para extrair assunto para suas peças magistrais.

O dramaturgo cearense José Mapurunga, ao analisar a minha adaptação de Macbeth, disse o seguinte: “Muitos enredos das maravilhosas peças teatrais de Shakespeare foram colhidos em cordéis vendidos nas feiras européias no século XVI. Eram enredos simples, escritos a maioria das vezes em prosa, que ganharam sangue, carne e nervos nas reflexões sobre a natureza humana tecidas por um dos mais geniais autores de todos os tempos. Daí, causa-me um certo espanto serem poucos os textos de Shakespeare que retornaram ao cordel feito no Brasil, acrescentados dos elementos que induzem às pessoas a refletirem sobre os maus passos que possam dar sob a influência de pensamentos destruidores.”
Em Sonho de uma noite de verão o grande dramaturgo inglês mistura elementos da mitologia grega e da fábula, dando um ‘toque de Midas’ com a sua genialidade, o que faz de seu texto uma obra sempre visitada e própria para releituras. A presença de personagens com poderes mágicos como a Rainha das Fadas, Oberon, o Rei dos Elfos e o atrapalhado Puck dão um toque de encantamento à história que ainda hoje fascina pessoas de todas as idades. Os desencontros iniciais entre os dois casais culmina em um final feliz, coisa que não é comum na obra desse autor. Eu gosto de histórias com final feliz. Quando o ilustrador Jô Oliveira propôs a adaptação de algumas obras de Shakespeare para um formato infanto-juvenil, achei que essa fosse uma das peças mais adequadas para esse público.

De antemão asseguro que essa adaptação prima pela fidelidade ao original do bardo britânico, com o mérito de renovar a linguagem para um estilo brasileiro por excelência, a Literatura de Cordel, através de 40 sextilhas (estrofes de seis versos de sete sílabas) a modalidade mais recorrente nesse gênero poético. No cordel, a rima e a métrica emprestam um ritmo a narrativa tornando-a muito agradável quando lida em voz alta. Que venham novas adaptações, pois Shakespeare bem que o merece. E o público leitor, principalmente das escolas, tem muito a ganhar com isso.

Arievaldo Viana


P.S - Adaptamos a pedido da Editora Pallas, Othelo, o mouro de Veneza, vertido para o cordel e ilustrado por Jô Oliveira. Temos também, já quase concluída, uma adaptação de Hamlet, o príncipe da Dinamarca.