quarta-feira, 6 de maio de 2015

ACORDA CORDEL


PROJETO ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA


1 - LIVRO COM 144 páginas, tamanho 28x21cm, com a história da Literatura de Cordel, técnicas da poesia popular e exercícios para professores e estudantes.

2 - CAIXA COM 12 FOLHETOS, de autores diversos, incluindo a Gramática em Cordel e a Didática do Cordel.

3 - CD com 10 poemas musicados ou declamados por Arievaldo Viana, Geraldo Amâncio, Zé Maria de Fortaleza e Mestre Azulão.

Valor total do KIT - R$ 70,00 + DESPESAS POSTAIS. Enviamos pelo CORREIO para qualquer parte do Brasil.

DESCONTOS ESPECIAIS PARA REVENDEDORES.

Maiores informações: acordacordel@hotmail.com




ARIEVALDO VIANNA

Crédito da foto: Dinho da Viola

terça-feira, 28 de abril de 2015


Biografia do mestre da literatura de cordel 
é lançada no Espaço Cultural

Uma noite dedicada à autêntica poesia sertaneja e à cultura popular. Foi assim o lançamento da biografia “Leandro Gomes de Barros – O Mestre da Literatura de Cordel: Vida e Obra”, do escritor cearense Arievaldo Vianna. O evento aconteceu no último sábado (25), no mezanino 2 do Espaço Cultural José Lins do Rego, com a participação do declamador Iponax Vila Nova e da dupla de repentistas Rogério Meneses e Raolino Silva.
Como não poderia faltar, o autor da biografia declamou trechos de folhetos famosos do cordelista paraibano homenageado, que é autor de textos que influenciaram Ariano Suassuna na criação de sua obra mais famosa, o ‘Auto da Compadecida’, como ‘O Dinheiro’ (ou O testamento do Cachorro), de 1909, e ‘O cavalo que defecava dinheiro’.
Poeta atemporal, Leandro se valeu da sátira para criticar os desmandos de seu tempo: a influência estrangeira em Pernambuco, Estado onde se estabeleceu. Essa característica foi lembrada por Iponax Vila Nova, que além de mestre de cerimônia da noite, declamou e interagiu com o público que desafiou sua memória imbatível pedindo versos e homenagens a cordelistas.

Mestres na arte do improviso, os repentistas Raolino e Rogério conquistaram o público com seus versos e violas. A experiência de um desafiando a juventude do outro em clima de descontração conseguiram levar o público às gargalhadas ao abordar temas da atualidade.
O evento realizado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc)  antecipou as comemorações pelo sesquicentenário de nascimento do poeta paraibano natural da cidade de Pombal, que acontece em 19 de novembro. O autor da biografia apresenta um trabalho amparado em fotos, documentos e informações inéditas sobre a vida e obra de Leandro. Para a presidente da Funesc, Marcia Lucena, a cultura popular merece ser tratada com essa atenção.
No texto de apresentação do livro, o poeta e pesquisador baiano Marco Haurélio, afirma: “Trata-se da biografia do nosso mais importante poeta popular, Leandro Gomes de Barros, patriarca da literatura de cordel e autor de, pelo menos, 20 clássicos incontestáveis do gênero. Ari salda o débito que contraiu com o mestre paraibano desde que foi apresentado, na infância, pela avó Alzira de Souza Lima (1912-1994) ao grande pícaro Cancão de Fogo, espécie de Lazarillo de Tormes sertanejo, e maior criação de Leandro.”
No prefácio da obra, o professor e estudioso da cultura popular Gilmar de Carvalho escreve: “Leandro é daquelas unanimidades a favor. Inegável que foi o grande nome do folheto e um dos sistematizadores da edição de cordéis no Brasil, com rima, métrica e folheto múltiplo de quatro páginas, com capa gráfica, no início, e com xilogravura, tempos depois. Curiosa essa passagem do violeiro para o poeta de bancada. Importante compreender como a maquinaria obsoleta para os grandes centros se interiorizava e dava lugar a jornais políticos e depois a uma atividade que movimentou a economia, que revolveu nossas camadas de memória e se fixou no imaginário social.”
Em 176 páginas, o livro reúne, além dos fatos relacionados à vida do poeta, raridades como fotos de familiares, documentos que esclarecem aspectos antes obscuros da biografia de Leandro. A pesquisa tem colaboração de Cristina Nóbrega, bisneta de Daniel, irmão de Leandro.  Merecem destaque também as entrevistas com o escritor Pedro Nunes Filho e o consagrado cordelista Paulo Nunes Batista. O primeiro é bisneto de Josefa Xavier de Farias, irmã de Adelaide (mãe de Leandro). O segundo é filho do pioneiro do cordelismo, Francisco das Chagas Batista, amigo do criador de Cancão de Fogo, e guarda na memória episódios interessantes que ouvia de seu irmão Pedro Werta, afilhado do biografado.

FONTE: http://www.paraiba.pb.gov.br/biografia-do-mestre-da-literatura-de-cordel-e-lancada-no-espaco-cultural/


José Paulo Ribeiro, Arievaldo, Maria do Socorro, Jocélio e José de Sousa Dantas

quarta-feira, 22 de abril de 2015

NA TERRA DE LEANDRO E CANCÃO DE FOGO






FONTE: http://www.paraiba.pb.gov.br/lancamento-de-biografia-homenageia-sesquicentenario-do-paraibano-mestre-da-literatura-de-cordel/

Dia 23/04 - Lançamento em Sousa-PB

Dia 24/04 - Lançamento em Pombal-PB, terra natal do poeta Leandro Gomes de Barros


Em João Pessoa, com os amigos de Guarabira-PB.


Lançamento de biografia homenageia 

sesquicentenário do paraibano 

mestre da literatura de cordel



O escritor cearense Arievaldo Vianna lança, neste sábado (25), a biografia do poeta paraibano Leandro Gomes de Barros. O lançamento acontece às 18h, no mezanino 2 do Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa. A programação da noite conta com as presenças de Iponax Vila Nova (declamador) e dos repentistas Rogério Meneses e Antônio Lisboa. A entrada é gratuita.
O evento realizado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), antecipa as comemorações pelo sesquicentenário de nascimento do poeta paraibano natural da cidade de Pombal, que acontece em 19 de novembro.
O autor da biografia apresenta um trabalho amparado em fotos, documentos e informações inéditas sobre a vida e obra de Leandro de Barros. No texto de apresentação do livro, o poeta e pesquisador baiano Marco Haurélio, afirma: “Trata-se da biografia do nosso mais importante poeta popular, Leandro Gomes de Barros, patriarca da literatura de cordel e autor de, pelo menos, vinte clássicos incontestáveis do gênero. Arievaldo salda o débito que contraiu com o mestre paraibano desde que foi apresentado, na infância, pela avó Alzira de Souza Lima (1912-1994) ao grande pícaro Cancão de Fogo, espécie de Lazarillo de Tormes sertanejo, e maior criação de Leandro.”
O cordelista paraibano é autor de dois folhetos que influenciaram Ariano Suassuna na criação de sua obra mais famosa, o ‘Auto da Compadecida’. Trata-se de ‘O Dinheiro’ (ou O testamento do Cachorro), de 1909 e ‘O cavalo que defecava dinheiro’. Em artigo que escreveu e publicou em 1976, o poeta Carlos Drummond de Andrade considera Leandro ‘Rei da poesia sertaneja’ e reivindica para ele o título de ‘Príncipe dos Poetas Brasileiros’, que foi concedido a Olavo Bilac, em 1913. Esse polêmico artigo de Drummond é cuidadosamente analisado em um dos capítulos da biografia escrita por Arievaldo. Segundo o autor, foi uma pesquisa árdua e persistente, ao longo dos últimos dez anos, sem contar com apoio financeiro de qualquer espécie, apenas a colaboração de amigos que também admiram a obra do grande poeta.
Na opinião do professor Gilmar de Carvalho, estudioso da cultura popular que assina o prefácio da obra, “Leandro é daquelas unanimidades a favor. Inegável que foi o grande nome do folheto e um dos sistematizadores da edição de cordéis no Brasil, com rima, métrica e folheto múltiplo de quatro páginas, com capa gráfica, no início, e com xilogravura, tempos depois. Curiosa essa passagem do violeiro para o poeta de bancada. Importante compreender como a maquinaria obsoleta para os grandes centros se interiorizava e dava lugar a jornais políticos e depois a uma atividade que movimentou a economia, que revolveu nossas camadas de memória e se fixou no imaginário social”, destacou.
Poeta atemporal, Leandro se valeu da sátira para criticar os desmandos de seu tempo: a influência estrangeira em Pernambuco, estado onde se estabeleceu. Com o chicote da sátira, vergastou os coronéis da Velha República. Pleno de graça, lançou chispas em direção ao clero, sem esquecer os protestantes e a justiça (dos tribunais). Ao mesmo tempo, exaltou os cangaceiros liderados por Antônio Silvino, criando o modelo que seria seguido pelos futuros biógrafos de Lampião no cordel: a fusão do cangaceiro nordestino com o cavaleiro andante do Medievo europeu.
Em 176 páginas, o livro reúne, além dos fatos relacionados à vida do poeta, raridades como fotos de familiares, documentos que esclarecem aspectos antes obscuros da biografia de Leandro. A pesquisa tem colaboração de Cristina Nóbrega, bisneta de Daniel, irmão de Leandro.  Merecem destaque também, as entrevistas com o escritor Pedro Nunes Filho e o consagrado cordelista Paulo Nunes Batista. O primeiro é bisneto de Josefa Xavier de Farias, irmã de Adelaide (mãe de Leandro). O segundo é filho do pioneiro do cordelismo, Francisco das Chagas Batista, amigo do criador de Cancão de Fogo, e guarda na memória episódios interessantes que ouvia de seu irmão Pedro Werta, afilhado do biografado.
Serviço
Lançamento da biografia Leandro Gomes de Barros – O Mestre da Literatura de Cordel, vida e obra – autor: Arievaldo Vianna
Participações: de Iponax Vila Nova (declamador), Rogério Meneses e Antônio Lisboa (repentistas)
Data: 25/04/2015
Hora: 18h
Local: Mezanino 2, Espaço Cultural José Lins do Rego
Entrada: gratuita


Lançamento em Pombal-PB, dia 24 de abril. No dia anterior estivemos em Sousa, no Centro Cultural Banco do Nordeste

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Anedotas e poemas do QUINTINO


Recentemente, adquiri pela Estante Virtual o livro MUSA GAIATA, organizado por Renato Sóldon e Bastos Tigre, reunindo a produção gaiata de diversos poetas, dentre os quais QUINTINO CUNHA. Vejamos alguns poemas enfeixados nesta obra...

Quintino Cunha
Poesia humorística – poesia satírica


QUINTINO CUNHA ― civilmente José Quintino da Cunha ― conhecidíssimo em todo o Brasil, sobretudo nos Estados  nordestinos, advogado e poeta, possuía  a virtude de improvisar discursos, versos e trocadilhos, com tal facilidade, que  estarrecia a todos.


Cearense de nascimento, cumpriu  o destino do seu povo: viajou de Seca e Meca. Durante cinco anos consecutivos esteve embrenhado nas selvas amazônicas e, de lá daqueles confins misteriosos, transportou-se para a Europa, onde publicou em Paris, o seu formoso livro “Pelo Solimões”.

No velho mundo privou da intimidade de Guerra Junqueiro Emile Faguet, Edmond Rostand,  Richepin Filho  e outros grandes vultos da literatura  universal.

Boêmio, amigo do povo, QUINTINO CUNHA militou na imprensa e tribuna, sempre ao lado dos desprotegidos contra as potestades ocasionais.


São de sua lavra, escritos no fim da vida, êstes mordacíssimos apólogos:


O CAVALO

                  ― O mérito, em declínio, é sempre oriundo
                  de um suposto valor:
                  o Cavalo foi tudo, neste mundo,
                  desde escravo aa Senhor!

                  Na Arábia, foi Herói; na Grécia, Trono;
                  Em Roma, Senador!
                  Hoje, no mais humilimo abandono,
                  mal chega a ser Doutor!


O GATO

                  ― O Gato, se tem fome, é assim: procura,
                  todo brandura,
                  o dono seu, pedindo-lhe comida.
                  Mas de uma fórma, tão enternecida,
                  que nos parece Gato
            a sombra fiel de um candidato
            pedindo votos para ser eleito...
            E, quando o  apanha,
            que ao próprio dono ferozmente estranha,
            aí é que o retrato está perfeito!


O BURRO

                  ― Chega à feira um sertanejo
                  montado num Burro arisco.
                  E, sem pensar nalgum risco,
                  daquele canto não sai.
                  Perto, apita um trem, e o Burro
                  salta com tal ligeireza,
                  que o pobre homem, de surpresa,
                  desiquilibra-se e cai!

                  Nesse momento, a assistência,
                  um tanto ou quanto educada,
                  prorrompeu em forte assuada,
                  quando o matuto caiu...
                  E, apenas como protesto,
                  àquele cena, tão séria,
                  vendo tamanha miséria,
                  somente o Burro não riu...

      QUINTINO tinha pavor aos ignorantes, notadamente àqueles que atingiam posição de destaque na política, na sociedade, no comércio, nas artes ou ...nas letras.

      Nas oitavas abaixo reproduzidas, o poeta adverte-nos o perigo que o ignorante oferece à humanidade:


O MENTIROSO E O IGNORANTE


O ment'roso é conciénte
da mentira que êle explora.
Mas o ignorante ignora,
que ignora o que fizer.
De onde suponho, com acerto,
ser natural que prefiras
um soltador de mentiras
a um ignorante qualquer.



   A IGNORÂNClA

_ Na história da teimosia,
entra a rudeza e a arrogância,
é tão forte a ignorância,
tão cruenta, tão mendaz,
que a própria Sabedoria;
de tudo, sabendo tanto,
 não póde saber de quanto
o ignorante é capaz.

É imenso o trovário do conhecido epigramista cearense.
Eis algumas redondilhas, à moda popular, de sua autoria: 

      — O homem que se sujeita
    a caprichos de mulher,
    é  zero escrito à direita
    de uma unidade qualquer.

              — Mesmo, sem subserv'ência,
                quem se ampara em proteção,
                  aou vive dependência,
               ou morre na humilhação 

Reforma, de quando em quando,
segundo o meu parecer,
é uma vela se apagando
e outra pra se acender...

           
    — O cearense, em criança,
    nasce na FÉ, com verdade;
    cresce e vive na ESPERANÇA
    e morre na CARIDADE.


Quando foi criado o sêlo de educação e saúde, QUINTINO farpeou, com esta quadra, um advogado, seu conterrâneo, homern doente do côrpo e da inteligência:


    — Um bacharel doente e rude,
         quasi morreu de desgôsto,
          por não pagar o imposto

          de Educação e Saúde. . .


Alguns meses antes de fechar os olhos à vida, no seu leito de dôr, o poeta brincava com a morte. Marido amantíssimo, QUINTINO ditou estes versos, de humor à Swift, ao seu sobrinho Renato Sóldon, pedindo-lhe mostrasse-os, depois, à sua dedicada esposa, a titulo de brincadeira:


                                  SPES UNICA


            — Morto, dentro da fria sepultura,
            sem te poder falar?
            E tú, que me amas, bôa criatura,
            indo me visitar...

            Banhada de suspiros, de soluços,
            desmaiada, talvez . ..
            Muita vez reclinada, até de bruços,
            na altura dos meus pés...

             Pedindo a Deus o meu viver eterno
             junto das glórias suas;

             que me livre das penas do inferno,
             e a chorar continúas...

Lembrando nossa vida a todo instante
repassada de dôr,
a lembrar-te que fui o teu amante,
— o teu único amor,

M al, pensando na horrífera caveira,
em que me transformei,
exausto de fadiga, de canseira,
imaginar não sei...

Para evitar essa hora amargurada,
êsse quadro de dôr, tão verdadeiro,
Deus há-de ser servido, minha amada,
que tú morras primeiro ! ...

Afinal, aos 68 anos de idade, no dia primeiro de Junho de 1943, em Fortaleza, QUINTINO CUNHA fechava os olhos à vida. Sem nada possuir, senão um grande talento e enorme cultura, êle mesmo ditou, momentos antes de morrer, o epitáfio para o seu túmulo:

— O Padre Eterno, segundo
refere a História Sagrada,
tirou o Mundo do nada...
E eu Nada tirei do mundo.


Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/amazonas/quintino_cunha.html

quarta-feira, 8 de abril de 2015

VISITANDO ESCOLAS NO RECIFE


 
RELATÓRIO DE ATIVIDADES NAS ESCOLAS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DO RECIFE-PE

Por: Arievaldo Vianna

 A Editora Imeph, através do projeto “Nas Ondas da Leitura”, vem desenvolvendo um trabalho magnífico na formação de jovens leitores em diversos municípios nordestinos. Desde que começou a publicação de livros infanto-juvenis, por volta de 2005, essa editora vem se firmando como uma das melhores do gênero. Logo em 2006 tivemos a sorte de termos um livro incluído no PNBE – Programa Nacional da Biblioteca da Escola, do MEC, justamente uma obra de minha autoria, intitulada “A raposa e o canção”, que havia participado de um projeto anterior do Governo do Estado do Ceará intitulado “Baião das Letras”. Naquele ensejo, publicamos mais dois “cordelivros” ilustrados – “O Pavão Misterioso” (releitura da obra de João Melchíades e José Camelo Rezende) e “O Bicho Folharal”, um conto popular que meu avô gostava de repassar para os netos no alpendre da casa grande da fazenda Ouro Preto, Sertão do Central, onde vivi meus verdes anos.
O sucesso de meus trabalhos pela Editora IMEPH motivaram convites de outras editoras para adaptação de clássicos da literatura brasileira e universal para a linguagem do cordel, além de textos originais ou baseados em lendas populares que logo se firmaram no gosto de estudantes e educadores de todo o Brasil, resultado em diversas inclusões no Catálogo da Feira Internacional de livros infanto-juvenis da Bolonha-Itália e mais 4 inclusões no PNBE, além do selo “Altamente recomendável”, da FNLIJ, presente em algumas obras. Enquanto isso, a editora IMEPH não parou de crescer e se firmar com uma grande empresa do mercado editorial, graças à qualidade de seus autores e ao dinamismo de sua equipe, que tem a frente a incansável Lucinda Azevedo.
Em março deste ano, recebi convite da Editora IMEPH para realizar um trabalho de visitação às escolas da rede municipal de ensino de Recife-PE, onde o projeto “Nas ondas da leitura” chegou com força total, espalhando milhares de “kits” com livros paradidáticos para várias faixas de público, desde as séries iniciais a adolescentes das séries mais adiantadas e até mesmo alunos do EJA.
A missão que me foi confiada foi cumprida à risca e com todo o empenho e dedicação que costumo empregar em atividades desse porte. Logo na primeira escola visitada, em companhia da coordenadora pedagógica Michelly Almeida, percebi que o mestre Ariano Suassuna, incansável defensor da cultura popular e da literatura de cordel foi escolhido pela Secretaria de Educação do Município de Recife para ser o PATRONO do ano letivo no que se refere à difusão da prática da leitura. Como se diz na linguagem popular corrente, “caiu a sopa no mel”. Além de participar e palestras, recitais e sessões de autógrafos do livro “O pavão misterioso”, uma das obras selecionadas para o projeto, discorri também sobre a obra de Suassuna, com ênfase no seu trabalho mais conhecido – O AUTO DA COMPADECIDA que é inteiramente baseado em diversos folhetos da chamada Literatura de Cordel, a saber: O Dinheiro (Testamento do Cachorro) e O cavalo que defecava dinheiro, ambos de Leandro Gomes de Barros, além de “As proezas de João Grilo”, de João Ferreira de Lima e “O castigo da soberba”, de Manoel Vieira do Paraíso. Ora, João Grilo foi o primeiro anti-herói que conheci na minha infância, antes mesmo de aprender as primeiras letras. Quando fui alfabetizado por minha avó paterna, Alzira de Sousa Lima, logo decorei diversas estrofes do folheto de João Grilo, que ainda hoje declamo com desembaraço nas minhas apresentações, para deleite das novas gerações, inclusive aquelas que não têm intimidade com o cordel.
As escolas visitadas, durante os três dias em que permaneci na capital pernambucana foram: Arraial Novo Bom Jesus, Osvaldo Lima Filho, Dom Bosco e Nadir Colaço. Em todas elas, sem exceção, houve excelente acolhida por parte dos educadores e notável interesse por parte dos estudantes, que acompanharam com interesse a palestra, fazendo perguntas sobre o livro em questão e querendo saber mais sobre as atividades de um escritor, suas fontes de inspiração e metodologia de trabalho. Note-se que, infelizmente, não é comum que autores visitem escolas públicas, fato que por si só, já diferencia positivamente o trabalho realizado pela Editora IMEPH.
Além da ótima orientação da equipe local (Amelinha, Thays, Rouxinol e Márcia) eu quero ressaltar a boa acolhida da equipe de Pernambuco (Rodrigo, Michelly, Alessandro e Carlinhos) que deram todo o suporte para que o trabalho se realizasse da melhor forma possível. Soube que o projeto está sendo expandido para outros municípios pernambucanos como Jaboatão, Cabo de Santo Agostinho, Garanhuns etc, o que contribui para a consolidação do projeto “Nas ondas da leitura” em nosso estado vizinho. Espero retornar outras vezes a Pernambuco e ter muitas outras obras trabalhadas junto aos estudantes daquela região.

 


Fortaleza, 08 de abril de 2015

segunda-feira, 16 de março de 2015

INSTALADA A ACADEMIA CANINDEENSE DE LETRAS


 
 
Visitando o blog VILA CAMPOS ONLINE, do poeta Pedro Paulo Paulino, encontrei excelente texto sobre a sessão de instalação da Academia Canindeense de Letras, ocorrida no último dia 14/03 (sábado). Tomei posse da cadeira número 3, cujo patrono é o meu saudoso amigo Francisco Magalhães Karam, considerado o 'guardião da história de Canindé'. Eis o texto publicado por Pedro Paulo Paulino:

 

CANINDÉ GANHA ACADEMIA DE LETRAS

Pedro Paulo Paulino

Canindé ganhou neste sábado, 14/3, sua academia de letras, em solenidade no auditório da Crede 7, com a presença de vários convidados. A entidade dispõe de 40 cadeiras, compostas inicialmente por 14 membros e uma diretoria com mandato anual. A iniciativa surgiu de um grupo de escritores e poetas locais, incentivados pelo radialista e escritor Tonico Marreiro.

Vicente Alencar, da Academia Cearense de Letras, foi convidado para presidir a instalação. Também compuseram a mesa o prefeito Celso Crisóstomo; coordenador da Crede 7, Paulo Alexandre; Marcos Paiva e historiador Cesar Magalhães.

Os patronos escolhidos são nomes que enriqueceram a cultura da cidade, alguns com projeção nacional, a exemplo de Cruz Filho, natural de Canindé e considerado príncipe dos poetas cearenses. Os fundadores são: Arievaldo Viana, Bosco Sobreira, Caroline Secundino Treigher, Cesar Magalhães Pinto, Erivaldo Façanha, Francisco Fonseca Lopes, Graça Secundino Pereira, Helena Mesquita, Jardel Araújo Crisóstomo, Maria Evan Gomes, Pedro Paulo Paulino, Mundinha Cruz, Silvio R. Santos e Tonico Marreiro.

Para o presidente da entidade, Silvio R. Santos, o acontecimento é marcante na história cultural de Canindé. “Estamos aglutinando nossos artistas, fazendo  homenagem póstuma aos conterrâneos ilustres e ao mesmo tempo promovendo intercâmbio entre gerações de escritores nativos”, explica, lembrando que a sede provisória da academia será na biblioteca municipal. Santos destaca também o apoio que receberam do radialista Cid Carvalho e dos escritores fortalezenses Vicente Alencar e Margarida Alencar.

O grupo de acadêmicos foi saudado pela banda de música Maestro Jota Ratinho. Após a solenidade, o prefeito Celso Crisóstomo recebeu os participantes com um almoço de confraternização. “A criação dessa academia é uma alegria para todos nós. As letras são uma das maiores heranças legadas pela humanidade em toda sua história”, disse o prefeito.
 
 
 
*
Acadêmicos já empossados
 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O COMETA DO FIM DO MUNDO


 
O Cometa de Halley, um dos corpos celestes mais famosos na história da astronomia, sempre visto com medo e desconfiança pelas pessoas simplórias do mundo inteiro, passou a ser mais temido a partir de 1881. Não era exatamente o medo de que ele viesse a se chocar com a Terra. O que aconteceu é que um astrônomo descobriu que a cauda de todos os cometas contém um gás letal chamado cianogênio. Essa onda de pânico, alimentada pela imprensa sensacionalista da época, aumentou ainda mais depois que descobriram que o Halley passaria pertinho da Terra em 1910 – o cometa passa a cada 76 anos e cruzou a órbita terrestre novamente em 1986.  Até jornais importantes, como o New York Times, lançaram teorias que toda a humanidade morreria envenenada pelo gás. Foi preciso que cientistas de bom senso analisassem a questão com mais clareza, a fim de acalmar as pessoas, garantindo que a cauda dos cometas, na verdade, é formada por vapor d’água e um pouquinho de hélio e amoníaco, e que nessas quantidades não fazem mal a ninguém. E, de fato, nenhuma tragédia aconteceu quando da passagem do viajante espacial.

Como se vê, o pânico se instaurou em todo o planeta e foi alimentado pela imprensa sensacionalista. Não se tratava, portanto, de um chilique coletivo das populações do Nordeste, sempre vistas como atrasadas e supersticiosas. O poeta Leandro Gomes de Barros estava a par do assunto desde sempre. Ele viajava constantemente nos trens da Great Western, participava das rodas de conversas no Largo das Cinco Pontas e no Mercado São José, lia também os jornais, revistas e almanaques que circulavam no seu tempo. Em suma, viu nesse episódio um tema para uma deliciosa sátira, onde esbanja a sua finíssima ironia e sarcasmo: 

Eu andava aos meus negócios,
Na cidade de Natal,
No hotel que hospedei-me
Apareceu um jornal,
Que dizia que no céu
Se divulgava um sinal.
 

O sinal era o cometa
Que devia aparecer,
Em Maio, no dia 18
Tudo havia de morrer,
Aí sentei-me no banco,
Principiei a gemer.
 

Gemi até ficar rouco
Fiquei logo descorado,
Depois o sangue subiu-me
Que fiquei quase encarnado,
Imaginando n’um livro
Que um freguês levou fiado.

 
Encontramos numa tese acadêmica da PUC/RJ, intitulada “O cometa do fim do mundo: Ciência e superstição na imprensa carioca de 1910”, de Maria Elisa Bezerra de Araujo, algumas considerações do astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão sobre a passagem do famoso cometa no início do Século XX. Na sua análise, as expectativas dos cientistas no início do século com relação à aparição do Halley era de que não houvesse mais reações de medo. Segundo o autor, depois que Edmund Halley, em 1695, descobriu que os cometas obedeciam a leis da física e estabeleceu o ciclo do cometa que leva seu nome, “acreditou-se que todo o temor em relação aos cometas deveria cessar numa civilização racional e tecnologicamente desenvolvida”. No entanto, prossegue Mourão, o que se constatou foi que por todo o mundo surgiam manifestações de pânico. O astrônomo afirma ainda que “a despeito de todo o avanço científico, o homem ainda mantém todo um universo de sentimentos e expectativas onde os cometas continuam a ser mais que astros catalogados astronomicamente, pressagiando desgraças ou renovando esperanças”.
 
Leandro não embarca nessa onda de histeria coletiva. Além de não levar a sério esse temor infundado, vale-se de sua irreverência e bom humor para criticar a usura dos ingleses e comerciantes, que se apressam em cobrar as dívidas dos seus fregueses antes do “fim do mundo”. É salvo, com toda família, graças a uma poderosa oração, recitada em prosa no final do poema, e o providencial auxílio de uma bendita panelada e um garrafão de sua bebida predileta, a famosa “aguardente Imaculada”, do engenho do Sr. Láo. Trata-se, evidentemente, de um dos melhores folhetos “jornalísticos” do mestre de Pombal-PB.
 
A 17 de maio,
A fortaleza salvou,
Eu comendo a panelada
Que a velhinha cozinhou,
Quando um menino me disse:
- Papai, o bicho estourou!
 
Aí eu juntei os pratos,
Embolei todo o pirão,
Botei o caldo num pote,
Peguei-me com o garrafão,
Me ajoelhei, rezei logo,
O ato de contrição.
Aí disse eu: 
— Eu beberrão me confesso a pipa, a bem-aventurada imaculada de Serra Grande, ao bem-aventurado vinho de caju, a bem-aventurada genebra de Holanda, vinhos de frutas, apóstolos de deus Baccho, e a vós, oh caxixi que estais à direita de todas as bebidas na prateleira do marinheiro.
Amém.
 
Quando eu acabei de orar,
Olhei para amplidão,
Ouvia dançar mazurca,
Cantar, tocar violão,
Era um anjo que dizia:
- Bravos de tua oração!
 
Aí um anjo chegou,
Com uma túnica encarnada,
Disse: - Sou de Serra-Grande,
De uma fazenda falada,
Eu sou o que cerca o trono
Da gostosa imaculada.
 
Sr. Láu, o proprietário,
Do reino onde ela mora,
Me mandou agradecer-lhe,
A súplica que fez agora,
Aí apertou-me a mão
E lá foi o anjo embora.


A esse respeito é importante observar o que escreveu o pesquisador cearense Francisco Cláudio Alves Marques em seu livro “Um pau com formigas ou o Mundo às avessas” (Edusp, 2014): “Geralmente, na literatura de cordel, as histórias em torno do tema da cachaça têm valor como comentário sobre a moralidade do álcool e os costumes da sociedade. Contudo, em Leandro Gomes de Barros, a bebida é concebida como um dos prazeres da vida e não como um vício; válvula de escape e pretexto para que se digam as verdades mais contundentes sobre o sistema e seus representantes”. O autor enxerga neste e noutros poemas de Leandro traços de uma “festa dionisíaca”.

 
 
O COMETA EM PORTUGAL...